3 de Ouros

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Bom dia! :-)

Eu sei que a semana ainda não acabou, mas hoje farei uma "puxada de conta" de segunda até agora e vou aproveitar a inspiração do momento e a regência venusiana da sexta-feira para escrever sobre um tema que todos aqui adoramos (não adoramos? rs): o amor.

Minha semana começou bem estranha, como já descrevi ontem. Mas foi, justamente, depois desta tomada de consciência expressa em palavras que tudo clareou e a minha energia, não somente se estabilizou, como também alcançou patamares superiores. Tudo isso foi coroado com uma consulta maravilhosa, em que rolou uma conexão profunda.

A vida é, sem dúvida, aprendizado. E quando dói, seja já em que aspecto (físico, emocional, mental, espiritual) não é karma ou castigo, é sinal de que precisamos prestar atenção em nossos processos internos e mudar alguma coisa. Não nascemos para sentir dor, nem para sofrer. Mas nascemos para aprender. E como a dor é algo incômodo, ela serve de alerta para que algo seja feito, para que ela seja superada.

Pensando nisso e juntando pecinhas de um quebra-cabeça envolvendo o que eu estou vivendo e o que várias pessoas, amigas e clientes, estão vivendo, algumas ideias começaram a ficar muito claras na minha cabeça e, principalmente, no meu coração.

Já falei aqui sobre a diferença entre amor e relacionamento. Para que um relacionamento aconteça é bom que haja amor. E quando há amor, queremos relacionamento. Mas estamos falando de duas coisas diferentes, com necessidades diferentes e formas de lidar diferentes. Não podemos mandar no amor, mas certamente podemos administrar o relacionamento. Amar é fácil, é verbo intransitivo... Relacionamento tem hífen e se...rs Relacionar-se com alguém. Entra um outro personagem na história e com isso surgem conflitos, mas também surgem vivências adoráveis.

Hoje, vou falar de coisas que também se confundem facilmente: o que se deseja ou sonha e o que se quer na prática. Explicar isso é bem mais desafiador, pois trata-se de algo profundamente subjetivo e complexo. Mas vou me esforçar! ;-)

Vejo com frequência os conflitos surgirem em relacionamentos porque as pessoas não conseguem lidar com sonho e realidade, não conseguem colocar cada coisa em seu lugar. Isso fica mais fácil de compreender se entrarmos em um território-tabu: a sexualidade. Quantos de vocês não se viram fantasiando coisas com total consciência de que aquilo na prática seria um desastre? Eu pensava que era a única louca a fazer isso, até que em conversas com amigas, descobri que isso é muito mais corriqueiro do que eu poderia imaginar. Na hora de elaborar as fantasias sexuais mais exóticas, tudo é fácil, simples. Enquanto as cenas acontecem dentro de nossa mente não há conflito, não há ciúme, vergonha, apego, medo. Porque não precisamos lidar com as consequências e o day-after. Com isso, há muitos anos, aprendi a colocar cada coisa em seu lugar: fantasias dentro da minha cabeça, realidade no meu cotidiano.

O mesmo acontece no setor emocional, o mesmo acontece no relacionamento afetivo. Vou citar alguns exemplos para que vocês possam captar melhor...

Quando uma mulher pensa o quanto é gostoso namorar um cara que sinta ciúme dela, ela certamente está pensando em algo como "você é tão incrível, que fico louco de ciúme quando penso quantos homens gostariam de namorar você" e nunca pensando em algo do tipo "eu te proíbo de usar esta roupa curta porque mulher minha não fica se mostrando por aí". Todos concordam? Quando um homem pensa a delícia de namorar uma "mulher quente", com toda certeza ele está pensando em uma mulher sedutora, ousada, que goste de fazer sexo com ele de uma forma intensa, mas duvido muito que ele esteja pensando em uma mulher que precise ter vários homens para satisfazê-la.

Quando criamos nossos desejos e sonhos, somos mestres e controladores de tudo que acontece e de suas respectivas consequências. Quando trazemos isso para a realidade estamos entregues ao fluxo natural das coisas e das pessoas com quem interagimos.

De alguma forma, isso me lembrou Simone de Beauvoir... Quando ela diz que o que atrai um homem é aquilo que ele destrói. Sendo menos dramática...rs Quando um homem se apaixona por uma mulher, se apaixona pela sua alegria, seu frescor, sua liberdade, a forma como ela transita pela vida, como uma linda borboleta. Quando ele se casa com essa mulher, ele vai podando, matando tudo isso, transformando esta menina em uma matrona, sem luz, sem brilho, cansada. E assim que toda aquela energia se vai, ele costuma arrumar uma outra menina, cheia de atributos para se apaixonar, deixando a mulher ou mantendo um relacionamento paralelo. Isso parece tão cruel! Isso parece mesmo um ato predador. E não estou aqui para colocar os homens como vilões da história, mas basta puxar pela memória e vamos nos lembrar de várias histórias reais que comprovam isso.

Lidar com a fantasia e a realidade é um desafio. Lidar com o desejo de possuir é um ato de coragem. Cuidar para não matar exatamente o que mais amamos no outro (e aí falamos tanto de homens quanto de mulheres) exige uma aquisição de sabedoria e maturidade que são difíceis de serem alcançadas.

Para não dizerem que estou perseguindo o povo do cromossomo Y, vou até dar um exemplo muito comum: a mulher se apaixona por um homem sensível, um artista talentoso, um cara realmente diferente dos que vemos por aí. Ele não gosta de futebol, ele não é competitivo e nem agressivo. Ele é belamente zen. Quando os dois se casam a mulher imediatamente começa a colocar ele "nos eixos": vamos trabalhar e ganhar mais dinheiro, você não tem ambição! Deixa de ser relaxado e para de deixar bagunça pela casa! Olha aqui... Você não pode ir na minha festa de final de ano do trabalho usando uma bata branca e essas sandálias da feira hippie! rs E assim se mata um artista! ;-)

Todos aprendemos uma forma de amor antropofágica! Uma forma de exercer o amor devorando o outro, absorvendo o outro para dentro de nós. Somos narcisistas! Queremos o outro como um reflexo de nós ou como uma parte de nós... Eva saiu da costela de Adão... Todo homem nasce do ventre de uma mulher. Somos atraídos pelo diferente, mas quando conquistamos o diferente, queremos transformá-lo em algo igual a nós.

No entanto, o amor é livre! É fluido! E quando falo coisas do tipo: o amor é livre, o amor não é sentimento de posse, estou longe de querer dizer que defendo o relacionamento aberto! Não, não... Acho que relacionamento aberto é como saia em homem e cabeça raspada pra mulher: quase ninguém fica bem nisso, mas existem os que combinam com o negócio. E viva a diferença! rs Não serve pra mim, mas pode servir pra você e o mais importante é ter consciência do que serve para si mesmo.

Quando pensamos em coisas menos polêmicas dentro de um relacionamento, lembro logo da minha transformação interior desde o primeiro namorado. Lembro de tudo que me pertencia e que não me pertence mais e é importante reparar nas coisas que mudam e deixam de fazer parte do que queremos. Já quis morrer de tanta paixão, já achei que só me relacionaria com alguém se ficasse sem ar quando encontrasse a pessoa, mas como dizem no facebook, o nome disso é asma! Já quis consumir e me deixar consumir de desejo, já quis me sufocar com a presença do outro no meu corpo, na minha mente e na minha vida. 

Eu precisei viver tudo isso para concluir que isso não me serve mais. Hoje, quero amar calmamente, quero que a intensidade surja no momento em que os corpos se unem, mas quero me sentir plena e completa quando estou sozinha. Quero sentir saudade e nem por isso correr em direção ao outro cada vez que ela aparecer. Quero saber amar de perto, mas também quero aprender a amar de longe. Quero olhar com clareza e lucidez todas as incongruências de quem eu amo e ainda assim saber que é amor. Quero um homem que me admire, mas que saiba a hora certa de falar "não senhora! Você está errada!", quero alguém que me permita a livre expressão de sentimentos e pensamentos, mas também quero alguém que use o bom e velho "cala a boca e me beija!" rs Quero alguém diferente de mim, porque eu já tenho a mim mesma, eu já me satisfaço e desejo navegar por mares desconhecidos.

Quando nos lançamos nesta viagem de amar o diferente encontramos vários conflitos. E isso é normal! Eu vejo a criatura tomando coca-cola e almoçando salgadinhos e tenho vontade de lançar toda a minha ira natureba sobre ele! Eu vejo a criatura guardando talento para si, quando poderia estar desenvolvendo projetos incríveis! Eu vejo a criatura dizendo coisas absolutamente irritantes do tipo "hoje você vai ficar livre de mim, vou te dar sossego". Eu olho tudo isso com meu olhar crítico de três planetinhas em Virgem e tenho vontade de ir até a varanda e gritar! Mas quando eu me acalmo, lembro da sensação de paz do seu abraço, lembro das conversas que parecem não ter fim, lembro da incrível capacidade de fazer amor e rir e conversar e voltar a fazer amor. E percebo que depois que a gente descobre que é possível ser feliz estando só, somente alguém muito especial pode fazer com que surja a vontade de ficar junto de novo.

Amar é assim... coisa estranha que a gente não consegue explicar. Talvez porque quando tudo é explicado, voltamos a buscar novos desafios para entender. E se a explicação não acontece por completo, sempre vamos querer um dia a mais, junto com o outro, para continuar tentando.

O 3 de Ouros é uma carta que fala de parcerias harmônicas, fala que caminhar junto, construir junto é melhor quando se encontra um parceiro afim. O 3 de Ouros fala da importância do talento de cada um separadamente e do quanto cada um faz, cada um do seu canto. Mas que em momentos especiais é possível trabalhar junto, realizar junto e isso traz uma satisfação enorme.

Eu estou tentando daqui e, apesar dos desafios, por enquanto tudo vai bem. Espero o mesmo para todos vocês.

Que a sexta-feira seja, de fato, de Vênus!

A imagem veio daqui

5 comentários:

. disse...

Oi Claudia! Pra mim, esse foi o post do ano!
Essas reflexões me ajudaram muito a entender certas coisas.
Isso que vc falou, sobre o homem que é atraído pelo que tenta destruir
depois, eu já vivenciei muitas vezes.
E após todas elas, tive que fazer um trabalho interno enorme para me resgatar, resgatar o que é meu de novo, e me senti uma fênix que ressurge das cinzas!
Mas antes de ler pensava que era um padrão meu.
É sempre bom ter essas experiências compartilhadas, para podermos saber
que não estamos sós, inclusive nos erros também ;)

Beijos,

Marina.

Kepler disse...

Que lindo texto! Acompanho o via tarot há quase 3 anos e é a primeira vez que comento. Rs
Fico um tempo longe, depois volto, agora to acessando todo dia.Foi por este blog que passei a conhecer o tarot e tambem a me conhecer melhor.Sou grato a você por compartilhar coisas tão bonitas, é uma mulher maravilhosa e iluminada, espero que continue sempre a dividir um pouco da sua luz conosco. Obrigado!

Aldo Luiz Fonseca disse...

Sou grato. Já já esperamos o livro de "crõnicas meditativas" com sabor de tarot (à la carte).

Parabéns, ao sucesso!

Cacau Gonçalves disse...

Oi, Marina!
Minha vida foi uma sucessão de renascimentos. Percebi esta tendência de me moldar ao outro e fiz isso de maneira mais intensa de duas formas diferentes, em dois casamentos. No primeiro, eu discutia, conflitava, tentava me expressar (porque falávamos línguas diferentes)mas no final, por um lado, em enquadrava, e, por outro, tinha atos de rebeldia. No segundo casamento, bem mais madura, percebi que se quisesse manter a paz e a sanidade teria que me calar em diversas situações e pelo fato de estar com alguém um pouco mais parecido comigo do que o primeiro marido, acabei confundindo o que eu queria e o que ele queria. Eu terminei o primeiro casamento e sofri muito mais. O outro terminou comigo o segundo casamento e me senti aliviada. Pode parecer incoerente, mas foi assim que aconteceu. Talvez porque, estando mais velha e mais madura, percebi que devia ser grata a ele por fazer algo que eu não seria capaz de fazer, apesar de estar totalmente insatisfeita. Menos pelo medo de ficar sozinha e mais pela certeza de que não tinha paciência para começar tudo de novo. Assim fiquei durante um ano e meio: feliz sozinha, com a certeza de que nunca mais teria um relacionamento sério porque não ia mais admitir me enquadrar nos planos alheios. Nesse período, tive dois breves envolvimentos que foram bons para me ensinar muitas coisas, inclusive a tal história de lidar com pessoas tão diferentes. A certeza que tenho agora é que tenho muito para aprender ainda, mas sendo eu mesma e não a costela de um homem! ;-) A gente tem que ter paciência, amiga, especialmente com a gente! rs

Kepler, muito bom ter vc na família Via Tarot, agora oficialmente ;-)
Grata pelas palavras carinhosas, viu?

Aldo, querido amigo, meus livros parecem ter uma incrível dificuldade de nascer. Vamos ver se dia desses eles se materializam. Sempre boa a sua companhia!

beijos, queridos

Cacau Gonçalves disse...

Aproveito a carona nos comentários para avisar que amanhã a postagem vai entrar mais tarde. A semana, como vcs foram testemunhas, foi puxada e vou fazer um breve retiro fora de casa e retorno amanhã pela hora do almoço.

Comportem-se (mais ou menos, afinal é sexta-feira...rs)