Quando o Diabo brinca de Banco Imobiliário

terça-feira, 1 de outubro de 2013

"Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo tempo, mas não se pode enganar a todos todo o tempo.", Abraham Lincoln

O Rio de Janeiro virou uma mistura de leilão e cassino, onde conjugados de 30 metros quadrados podem custar tranquilamente mais de meio milhão de reais. Sem vista para o mar. 

Sob a justificativa de trazer mega eventos esportivos à cidade, o atual prefeito em conivência com os governos federal e estadual já desalojou mais de 30 mil pessoas, favoreceu os empreiteiros de sempre e os preços dos imóveis foram catapultados para muito além do poder aquisitivo da população local. E na busca por moradia, as áreas antes rurais e de preservação ambiental, como Vargem Grande e Pequena, vêm sendo loteadas e transformadas em condomínios fechados em estilo norte-americano.

A melhor postagem daqui do blog sobre esses absurdos, que incluem até o fechamento de mais de 40 escolas públicas para venda do terreno, está no link Basta de demolir, Arquitetura da Gentrificação, aumento das passagens, mega eventos, desfavelização virtual, otimização de escolas públicas e onde você entra nessa história toda.

Não deixe de ler e acompanhar os porquês dessa gritaria geral sobre black blocs, mídia ninja e se são ou não apenas os tais 20 centavos que ninguém fala mais.

Não exagero, é mais barato morar em castelos construídos antes do ano 1.000 da era cristã com parques de 30 acres do que comprar uma casa de 4 quartos no Rio de Janeiro - observe que são castelos na Normandia, em Viena e na Floresta Negra.

Leia mais abaixo e entenda porque até a Anistia Internacional, sempre imparcial em questões políticas, tomou partido nesse abuso.

http://caroldaemon.blogspot.com.br/2013/10/essa-copa-olimpiada-e-o-fim-parte-6_1.html

4 comentários:

Fernando Augusto disse...

Sabemos muito bem o que uma bolha imobiliária pode produzir, um belo exemplo de 5 de ouros com Diabo, são os arcanos presentes em todos os níveis do cotidiano.

Juliana disse...

Tio Fê, tenho acompanhado a questão por meio da pesquisa acadêmica de uma amiga e, claro, também das notícias que têm saído na mídia (uma mídia bem específica, claro). E pensar que o Rio de Janeiro, palco desses acontecimentos tristemente surreais, é mais falado porque é mais visível por vários motivos - mas quantas assim não estão acontecendo Brasil afora, né? O que dizer dos incêndios de proporção gigantesca que "por acaso" começaram a ocorrer nos últimos anos, sempre nas áreas de maior densidade populacional em SP, situadas em bairros estratégicos, alvos da especulação imobiliária? E nem vou entrar no mérito da demarcação das terras indígenas...

Enquanto isso, a campanha da Anistia Internacional, amplamente divulgada na internet, até agora teve pouco mais de 150 assinaturas... o que nos leva a crer que as pessoas não se envolvem porque "não é problema delas" mesmo, ou pior: porque, no fundo, as remoções forçadas trazem benefício$ (inclusive "paisagísticos", por assim dizer - pausa para o engulho...) a uma grande parcela dessa sociedade também, que prefere fechar os olhos ao lado humano (?) da questão e deixar que as "autoridades" façam o "trabalho sujo".

Enfim... haja Diabo pra tudo isso... parece que realmente "não existe pecado do lado de baixo do Equador"... senão ó, já tava todo mundo lascado. ;-p

Beijos,
Ju

Larissa disse...

Está muito sofrido morar no Rio de Janeiro. E eu já havia feito pesquisa similar a essa que você fez sobre os castelos da Normandia -- outro dia fui olhar preços de imóveis em Manhattan (que é símbolo de metro quadrado caro) e achei basicamente iguais aos de COPACABANA. Não do Leblon. COPACABANA. Conheço japoneses que vieram morar no Rio de Janeiro a trabalho e reclamam dos preços dos imóveis aqui e dizem que estão mais elevados do que em TÓQUIO. Conheço muitas pessoas que, entre 2010 e 2011, foram obrigadas a se mudar dos imóveis em que moravam há anos porque seus contratos de aluguel venceram e os proprietários TRIPLICARAM o valor. Pessoas solteiras podem abrir mão de um lar só seu; e as famílias? O que melhorou no Rio de Janeiro que justifique esses valores exorbitantes? Quem é a pessoa que tem 500 mil reais para pagar num CONJUGADO? Eu não vejo a correspondência desse movimento com a demanda, o consumidor desse produto que é a moradia. Para mim é bolha. Vou sobrevivendo. Paciência...

Cacau Gonçalves disse...

Larissa, ontem comentei com o sócio que quando passar Copa e Olimpíadas, possivelmente, teremos imóveis à venda por preço de banana... A razão é simples e vc já falou: bolha! E vc sabe que as bolhas tendem a explodir depois de um tempo. Foi criada uma ideia totalmente irreal sobre valores de imóveis... E digo mais: não é somente no Rio! Acredite que em São Lourenço, interior de Minas, o valor dos imóveis triplicou de uns 5 anos pra cá. Se alguém me disser qual jogo da Copa vai acontecer numa cidade do interior de Minas, eu agradeço...rs
É preciso compreender que a realidade é aquilo que aceitamos como tal. Se todas as pessoas, mesmo as que têm condições de comprar imóveis tão caros, simplesmente se recusassem a fazer isso, tudo voltaria ao patamar do razoável mais rapidamente.

beijo