O tarot e os desafios nossos de cada dia

terça-feira, 21 de junho de 2016

Uma coisa que eu aprendi com o passar dos anos foi aproveitar cada desafio como um aprendizado precioso! Muitas vezes, passamos uma vida inteira acreditando que as coisas estão erradas em volta de nós, mas não entendemos que o que precisa mudar está dentro de nós, as respostas estão sempre dentro. Chamo isto de transformação limão em limonada ou em margarita, dependendo da ocasião.

Hoje, logo ao chegar no trabalho, me vi de frente com duas situações: a primeira, uma pequena falha minha sendo cobrada de forma exagerada pela Secretaria de Educação, sendo que no mesmo processo precisei lidar com diversas falhas, bem maiores, vindas do lado de lá. Não bastando isso, ao invés de falarem comigo, pressionaram a diretora da escola, que não possuía todas as informações necessárias para lidar com a situação. Fiquei profundamente aborrecida com esta dupla situação de injustiça em que sou cobrada com rigor por pessoas que não mostram o mesmo rigor na hora de trabalharem, mas também fiquei chateada porque minha chefe direta sofreu uma pressão injusta, até covarde na minha opinião.

A segunda situação envolveu um histórico que eu já havia feito e entregue à mãe de um aluno há quase 30 dias. Sabe-se lá o que a mãe fez com o histórico e a secretária da escola que deveria receber esse documento me telefonou cheia de exigências, como se fosse minha a responsabilidade da entrega do histórico e pedindo que uma segunda via fosse enviada pelo correio o mais rápido possível (sendo que, por lei, temos 30 dias para emitir um histórico a partir do momento em que ele foi solicitado). Resumo da situação: eu fiz tudo certo e sou cobrada pela omissão de outra pessoa.

Fiquei tão indignada com essas duas situações, que cheguei a me sentir mal. Percebi neste momento qual é a base de todos os meus maiores problemas, aqueles que realmente me afetam (já que em outras situações vejo pessoas furiosas por mim e eu rindo, achando tudo uma bobagem): Justiça!

Sempre que eu vejo uma injustiça sendo cometida comigo ou com outra pessoa, perco o meu centro, aquele alcançado com tanto sacrifício através da experiência e dos anos vividos. E, levando-se em conta que as pessoas pensam de forma diferente e às vezes até consideram normal o que considero injusto, quem tem que mudar a forma de lidar com as coisas sou eu, não os outros, ou estarei condenada a passar mal ainda por muitas vezes, pelo resto da vida.

Então, a partir desta percepção, tive a ideia de juntar este processo de auto observação à sabedoria do tarot. Primeiro passo para entrar neste jogo: descobrir qual é a base do seu desequilíbrio. É claro que nos chateamos com várias coisas, mas normalmente existe uma questão que resume tudo, no meu caso, a Justiça. E foi fácil encontrar um Arcano para representar meu ponto fraco, porque ele tem exatamente este nome. Então, faça uma reflexão profunda e descubra: qual o Arcano Maior que representa o seu ponto fraco, aquele que quando é mexido leva você de zero a mil como se fosse um cometa! rs Pegue este Arcano e olhe para ele, converse com ele, deixe-o em um lugar de destaque para que você possa dar uma olhadinha de vez em quando, pensando: como eu lido com você de forma harmoniosa, meu amigo?

Bem, depois eu parei para pensar em duas outras características que eu tenho que, apesar de serem um problema, consegui transformar em trabalho... Trabalho interior! Sempre há uma forma de lidar com as coisas com mais habilidade, tranquilidade e harmonia, e vou contar para vocês dois segredinhos.

Meu primeiro segredinho, nem tão secreto, é o que eu chamo que "quase TOC". Para quem não conhece a expressão, TOC é o Transtorno Obsessivo Compulsivo, aquilo que faz com que as pessoas, em sua expressão máxima, queiram ter o controle de tudo. Tudo tem que estar meticulosamente arrumado, limpo, em ordem, organizado. É claro que eu não chego a este extremo ou já teria enlouquecido (e deixado um tanto de gente louca também). Mas eu percebo que tenho minhas manias, sou meio sistemática, amo ver tudo limpo e arrumado, e depois que descobri o método KonMari de arrumar gavetas, sempre que não estou muito bem, abro minhas gavetas e passo alguns minutos suspirando com aquelas roupinhas dobradas e dispostas de maneira tão perfeitamente linda! rs Percebi que esta visão de ordem e harmonia me traz conforto e ao invés de virar uma chata, me transformei numa admiradora da poesia da organização em meio ao caos do mundo. Desligo meu olhar quando a bagunça é alheia, quando é a casa dos outros, o escritório dos outros, a vida dos outros. Meu foco é na minha casa, minha sala de trabalho, minha vida e ao invés de colocar ênfase na desordem, coloco amor e dedicação na arte de organizar dentro de uma estética muito própria.

Quais são os meus Arcanos para este quase TOC? O Louco, 9 de Paus, 10 de Paus e Príncipe de Ouros. Vamos às explicações...

O Louco é tudo que eu não quero! Inesperados, confusão, coisas sem planejamento. Mas ao olhar para o Louco eu também consigo ver as surpresas agradáveis e as aventuras, coisas que eu, paradoxalmente, gosto. Então, minha reflexão é sobre as coisas sobre as quais não tenho controle e que me trazem experiências agradáveis, me provando que viver uma vida tão organizada tem seu lado de tédio e, vez por outra, é bom deixar a vida me levar, vida leva eu.

O 9 de Paus é a carta da disciplina, uma batalha antiga! É incrível que alguém que diz que tem quase TOC tenha nascido sem um pingo de talento para a disciplina. Até os 40 anos eu praticamente desconhecia este talento. Mas fui construindo sinapse de disciplina em meu cérebro! rs E hoje me considero mais disciplinada que a média das pessoas que conheço. Quando olho para o 9 de Paus eu penso: eu aprendi, que bom!

O 10 de Paus é quando eu extrapolo a disciplina e começo a querer usar o método KonMari do planeta Terra! É quando eu olho tudo em volta e digo "mas está tudo errado!", é quando me angustio porque as pessoas agem de forma incoerente e quando acabo puxando para mim a resolução de problemas e as responsabilidades que, definitivamente, não me pertencem. Olho para o 10 de Paus e reflito: eu não posso carregar o mundo nas costas.

O Príncipe de Ouros é pragmático, sistemático, determinado a concretizar o que planeja. Em parte, sou assim, mas às vezes nem tão determinada e acabo frustrada por não concretizar tudo que quero. Por outro lado, este Arcano me faz refletir sobre a necessidade de dar uma pausa na estrada dos meus objetivos para admirar a paisagem. Quando olho para este Arcano, repenso posturas inflexíveis e percebo que eu também (como todo mundo) preciso relaxar.

Meu segundo probleminha é outro quase... Quase claustrofobia. Eu digo "quase" porque consigo ficar em lugares fechados, aliás adoro o aconchego do meu quarto (portinha fechada, janela fechada quando está frio). Não chega a ser uma fobia, mas algo que me incomoda em situações específicas. Não me agrada viajar de avião, não me agrada estar em um lugar estranho trancada sem que eu tenha a possibilidade de sair quando eu quiser. Eu diria que isto é mais uma necessidade absurda de liberdade, mesmo que seja para ficar quieta no mesmo lugar. Costumo dizer que eu quero a liberdade sempre, se vou usá-la já é outra questão. Às vezes, tenho a sensação de que este incômodo é mais de "pensar em" do que vivenciar a situação. Pensar em não poder fazer algo muitas vezes me incomoda mais do que, efetivamente, não fazer... Desde que eu tenha o poder de decisão, está tudo ok.
Escolhi dois Arcanos que expressam esta quase claustrofobia: o Enforcado (claro) e o 9 de Espadas.

O Enforcado é auto explicativo, né? Traz uma sensação de limitação, prisão, restrição. Não gosto de nada disso. Mas olhando para este Arcano neste processo de cura, lembro do que falo sempre que ele aparece no jogo de alguém: você está desconfortável nesta situação, mas lembre-se de que se você está vivendo isso é porque permitiu que isso acontecesse de alguma forma. Portanto, se teve poder para entrar nesta, tem poder para sair também. A liberdade pode ser ilusória para quem vive nesta matrix, mas a prisão também se torna ilusória, porque quando um extremo não existe, o outro imediatamente se auto anula. No fim das contas, como bem descreve o Budismo, tudo é apego e apego é sofrimento. Toda dor vem do desejo de não sentirmos dor.

O 9 de Espadas é a carta do pesadelo, aquela que nos fala de uma inflação de sentimentos negativos e, parcialmente, ilusórios (olha a ilusão aí de novo!) Existem problemas, mas nós olhamos para eles com significado. Sabem o que é isso? É quando o medo de avião não é medo que o avião caia... É o medo de estar trancada em algum lugar e (de repente, quem sabe?) querer sair. É o medo de tomar uma decisão e não poder voltar, desistir. É medo das decisões irreversíveis, dos caminhos irretornáveis. É medo do "para sempre" e do "nunca mais" (há muitos anos escrevi uma poesia em que eu expressava meu horror em relação a esses dois conceitos). Então, o medo de avião não é medo de avião. É medo de outras coisas que são sintetizadas nesta bobagem de transporte aéreo e que eu evito encarar, olhar nos olhos. Mas quando eu olho para o 9 de Espadas, eu sorrio e penso: a realidade é o que? Eu posso enfrentar os pesadelos se estiver lúcida... Se for uma pessoa lúcida, acordada ou dormindo, em qualquer tempo e lugar.

Quais são seus medos? Quais são suas manias? Que características dificultam o seu caminho? Use as cartas de tarot para descobri-las e depois trabalhe com as imagens e os significados. Porque tarot não é só adivinhação, ele é um incrível instrumento para ampliar a percepção. A partir disso é possível transmutar, curar, harmonizar e crescer como ser humano.

Este é um presente adiantado dos 9 anos do Via Tarot (o aniverário é dia 5 de agosto) para vocês. Espero que aproveitem este método de auto conhecimento!

4 comentários:

Aldo Luiz Fonseca disse...

Meu imenso coração irmão cheio de luminoso amor incondicional para dar com o nome de Claudinha.

Amigos Via. Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato.

Tudo é a causado pela importância que damos ao nosso ego de todos os momentos. Estamos reencarnados para este treinamento ao desapego ao egoísmo de não compreender que tudo é uma única onda manifestando infinitamente o resultado de nossos sentimentos/pensamentos, frequências de onda eletromagnéticas em “fase” com nossas escolhas ainda “determinadas” por nossa ancestralidade escravista. Coisa de mães e filhos numa relação indevida com um patriarcalismo enfiado “no meio” atravancando o nosso natural amor incondicional...

Memórias ancestrais deturpam nossas escolhas inspiradas pela Fonte. Ruídos na intercomunicação com nosso Eu divino infinito em expansão de onde tudo vem e para onde tudo vai para o nosso bem e o bem de Tudo.

Quando somos tão importantes quanto ao Tudo e o Todo, deixamos de ser importantes para nós mesmos. O perdão à “injustiça” se faz imediato restaurando o Justo Fluxo Amoroso aos nossos corações e mentes. O perdão do amor incondicional “á priori” é o escudo energético protetor de nossa infinita caminhada na paz da gratidão.

O inicio dessa consciente maneira de Ser o fluxo do “Quântico Divino” é mesmo de assombrar. Mas É, e só aí, que os milagres acontecem para o nosso bem e o bem de Todos e do Tudo que ao final somos nós mesmos, o cada um com seu cada qual sendo o fluxo quântico em expansão que chamamos de Deus...

Neste endereço https://www.youtube.com/watch?v=rYKlCefcRqk deixo aos amigos esta meditação libertadora, foi o meu ponto de partida e procuro me conscientizar dela a todo instante. Foi o sempre surpreendente; “Aqui está o que você Me pediu. E lembre-se; na paz da gratidão quando mais você dividir mais Eu multiplico. Assim sou Eu”.

Avante! Beijos e abraços de gratidão a todos. Espero estar contribuindo.

Aldo Luiz Fonseca disse...

p.s: Claudinha, esqueci de agradecer o KonMari, já arrumei a gaveta de meias, vou para as outras... Bjs

Cacau Gonçalves disse...

Oi Aldo! :-)

Estamos juntos neste processo de crescimento, em busca da luz que existe em nossa essência, mas que às vezes "deixamos passar". A auto observação é fundamental nesse processo. Rir das nossas bobagens tb...rs

Sigamos! ;-)

Sinto muito, eu te amo, me perdoa, sou grata!

Aldo Luiz Fonseca disse...

Abençoada Claudinha, estamos juntos e misturados. Rir das nossas bobagens já é sintoma de sanidade... Já dizem os mais experientes quer rir é o melhor remédio. Estou certo de que quando em alinhamento como o Fluxo Quântico Divino estamos sempre rindo à toa. É a alegria do Ser consciente na paz da gratidão sendo o que de fato somos. E, na "magia" da alegria dessa presença consciente, ninguém adoece de nada. Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato.

Beijos de paz e gratidão.