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A Rainha de Espadas e o Amor - Parte 3

quinta-feira, 7 de agosto de 2014


Quando batizei esta série de artigos de A Rainha de Espadas e o Amor, a ideia foi olhar para as questões de relacionamento sob uma perspectiva mais mental e analítica, mas ainda assim feminina. A Rainha de Espadas pensa, analisa, elabora e escreve (eu? rs) Mas ela não deixa de ser uma Rainha, ela não deixa de ser uma mulher. Mas é uma mulher que possui o domínio do Ar, dos pensamentos e das palavras.

Depois que escrevi a parte 2, fiquei refletindo sobre algo: talvez, o relacionamento entre homens e mulheres não seja tão desafiador quanto parece e talvez 90% das dificuldades estejam concentradas no setor da comunicação. Quem sabe? Podemos sentir parecido mas expressar diferente e aí começa toda a bagunça.

Existem algumas linhas de análise que associam a inteligência à capacidade de comunicação. Se considerarmos isso como uma verdade absoluta, ficaria comprovado que mulheres são mais inteligentes do que homens...rsrsrs Não... Não quero começar uma guerra dos sexos, apesar de que isso pode ser bem engraçado, se for levado como brincadeira ;-)

Trabalho com consultas há 16 anos. Cerca de 95% dos meus clientes são mulheres. No entanto, sempre tive muitos amigos homens e sempre fui aquela pessoa que, naturalmente, atrai pessoas que começam a contar seus segredos e intimidades, sejam homens ou mulheres. Tudo isso me proporcionou uma bagagem, um acervo de experiências relatadas muito grande. E percebo que sempre se repetem alguns conflitos e dúvidas na relação entre homens e mulheres. Hoje, venho aqui falar do que supostamente chamam de amor romântico e que anda fazendo papel de Geni nos últimos tempos. É tanta gente tacando pedra e outras coisas no conceito de amor romântico, que sempre me pergunto por que tipo de sofrimento essas pessoas andaram passando, que deixou tantas marcas.

Vejam... Não estou aqui dizendo que acredito em Príncipe Encantado (só no de Copas, que já nos visitou quatro vezes nos últimos tempos...rsrsrs), nem estou dizendo que todos temos uma alma gêmea que vai bater a nossa porta e nos pedir em casamento. Não. Não acredito em relações afetivas que dão certo do nada! Vivenciar o amor dá trabalho e quem tem preguiça pra isso, sinceramente, aconselho a desistir de namorar... Arruma um desses jogos virtuais em que se cria parceiros de acordo com nossa divina vontade e faça bom proveito!

Alguém acredita que se não estudar loucamente vai passar em um concurso público federal, daqueles com salários de 5 dígitos? Alguém acredita que se não for correr, malhar na academia ou praticar um esporte vai conseguir ficar em forma, com músculos bem torneados? Alguém acredita que se ficar em casa vendo TV, no final do mês vai ter uma grana alta entrando na conta bancária? Bem, então como se pode acreditar que o simples fato de amar alguém (e ser amada por essa pessoa) vai resultar em um relacionamento afetivo feliz?

Pois bem... Voltando à questão do amor romântico.

Sou, definitivamente, contra o processo de criar ilusões sobre as relações de amor. Mas tenho consciência de que somos nós que criamos nossas relações, então, está em nossas mãos tansformá-las seja lá no que for. E o maior desafio é: para fazer isso, é preciso de dois e não somente de um. Isso quer dizer que não adianta você preparar uma comidinha gostosa para o seu amor, para recebê-lo de volta quando ele viaja a trabalho, nem adianta fazer massagem nos seus ombros quando ele está tenso e nem adianta você compartilhar todas as suas mais novas descobertas intelectuais com ele, se ele não está nem aí pra tudo isso, ou se usufrui de tudo isso, mas não sente vontade de fazer o mesmo por você. Ok, no amor não deve haver cobrança... Mas se não há a vontade legítima de ver o outro bem e feliz, então, creio, não é amor.

E aí vou chegar naquele ponto... O ponto da comunicação. E também o ponto do amor romântico e de todos os alimentos existentes para isso: músicas, filmes, livros...

O que vou falar a partir de agora é expressão do que eu sinto, não ouso representar todas as mulheres, até porque sei que muitas funcionam de um modo bem diferente do meu. Mas a quem interessar possa, cá está a minha visão de tudo isso...

Quando ouço a Adriana Calcanhoto cantar:

"Entre por essa porta agora
E diga que me adora
Você tem meia hora
Pra mudar a minha vida"

Eu fico totalmente encantada! Porque "o meu coração dispara"...rs Dispara em pensar em algo assim, intenso e arrebatador. Sorry, Marte em Escorpião na casa 1 :-) Mas isso é um deleite do coração, da alma, do sonho. Porque, sinceramente, se uma pessoa entrar pela porta da minha casa dizendo que me adora e querendo mudar a minha vida em meia hora, eu acho que vou chamar a ambulância da Saúde Mental!!!! rsrsrs Vocês estão me entendendo? Não é que eu queira isso em termos práticos, exatamente desse jeito... Eu quero a sensação disso... Eu quero sentir que o outro me quer assim, intensamente... Quer estar presente na minha vida, quer trazer mudanças, crescimento, alegrias...

Outra música, do Barão Vermelho, que pode causar polêmica se for interpretada de modo literal:

"Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia"

Como diz meu amigo Manu - Opa! PERA! - não dá pra administrar uma vida assim. Amor não paga aluguel, não paga luz, água, telefone. Um relacionamento inclui responsabilidades bem práticas e materiais. No entanto, que gostosura imaginar o bonitão querendo nos nutrir com o seu amor! Tentador!

Eu adoro esta música da Marisa Monte, mas sempre faço uma ressalva:

"Eu só quero que você caiba
No meu colo, porque eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás"

Como assim, eu quero que você siga para onde quiser? E o encontro que a gente marcou??? rsrsrs Ou seja, é claro que eu quero ser uma pessoa livre, plena, completa em mim mesma e quero o mesmo para o outro. Mas se não há o encontro físico, o que há de relação? Não, já fui mais platônica, hoje não sou...rs É lindo quando os caminhos se cruzam e surge o amor, mas para que o amor se transforme em relacionamento amoroso há que se investir na criação de tempo juntos, compartilhando, interagindo.

Ok, por agora está bom, né? :-) Mas tenham a certeza de que virei aqui fazer uma boa continuação com filmes. Será minha vingança pessoal às pessoas insensíveis que falam mal das comédias românticas! rsrsrsrs

A Rainha de Espadas e o Amor - Parte 2

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Para aqueles que não sabem, explico: o Facebook vem sendo fonte de inspiração para vários artigos que tenho escrito e de ilustração para alguns Arcanos do Dia, aquela coisa de "a vida como ela é"...rs

Então, hoje temos mais um desses casos. Meu querido amigo Manu postou uma pergunta (e trecho de uma música do Legião Urbana): e hoje em dia como é que se diz eu te amo?

Dei lá minha resposta, mas isso não bastou... Meus pensamentos ficaram presos lá e começaram a pipocar mil questões, a maior parte delas resultado do meu trabalho com consultas.

Fato é que cada pessoa sente o amor de uma forma diferente e, portanto, expressa o amor de uma forma diferente. E posso afirmar para vocês que isso é ponto de discussão e insatisfação em 11 de cada 10 casais heterossexuais...rs E a insatisfação é sempre da mulher, claro. Existem exceções? Sim! Mas são raras... Muito raras...

Eu poderia ficar algumas horas (dias?) falando aqui sobre a nossa sociedade patriarcal, machista, que condiciona o homem a não ter sentimentos ou pelo menos não demonstrá-los. Homem não chora, homem não se apaixona, homem tem que ser forte o tempo todo. Sorry... "tem-que" não...rsrsrs Homem é ser humano, ok? Homem também chora, tem seus medos, se apaixona, perde o rumo. Da mesma forma que mulher tem vontade de quebrar tudo vez por outra, mulher também quer férias de filhos (e isso não quer dizer que ela não os ama) e em certos momentos ela quer dizer somente o que está dizendo, não existem entrelinhas.

Mas não vou fazer isso não... Vou fazer outra coisa, seguir outro caminho...

O amor que cada um sente só pode ser avaliado por quem sente, concordam? Eu não posso dizer o quanto fulano ama e nem como ele ama... Mas o amor que alguém expressa pode ser avaliado, ok? Então, e este recado é especial para as meninas, vamos parar de querer dizer o quanto os outros nos amam e vamos substituir isso por "o quanto eles expressam o seu amor por nós". Acredito que homens tenham uma capacidade de amar muito boa, de um modo geral, mas eles são péssimos pra expressar isso! Então, se os meninos devem entender as oscilações emocionais femininas, talvez seja hora das meninas entenderem o modus operandi masculino.

Eu costumo fazer uma longa lista e recitar para as minhas clientes: 1) se ele está calado, é mais fácil estar preocupado com o saldo da conta bancária ou com um trabalho que precisa apresentar na reunião de segunda-feira do que chateado com você 2) homens costumam ser bem óbvios, é mais garantido acreditar no que ele diz do que ficar procurando sentido nas entrelinhas (quem gosta de entrelinha é mulher...rs) 3) 70% dos homens que são "galinha" ou traem compulsivamente são facilmente detectáveis, portanto, não há surpresas... o que pode haver é uma negação em enxergar 4) é mais fácil confiar em um homem econômico com "eu te amo" do que num homem que usa "eu te amo" como vírgula 5) homens não compartilham problemas, eles comemoram soluções... não espere que ele venha pedir ajuda ou opinião sobre as coisas que faz (exceções? Sim! Mas são raras) 6) homens têm a péssima mania de fazer planos, que incluem você, sem te comunicar 7) se o cara tem um problema pra resolver, especialmente se ele julga que essa resolução vai ser boa para o relacionamento, ele some (sim, desaparece sem dar satisfação), leva o tempo que precisar pra resolver o problema e depois volta com a certeza absoluta que você está no mesmo lugar (o lance é que, como mulheres costumam ficar histéricas com essa postura, normalmente, estão lá, que nem estátua, esperando ele voltar...rs)

Ou seja, como costumo repetir e repetir e repetir... O fato de homens e mulheres se apaixonarem é uma ironia da Divindade. Somos tão diferentes, especialmente na forma de lidar com o amor, que às vezes chega a ser engraçado. Se tivermos o bom humor necessário, dá para dar gargalhadas! Eu já fiz isso...rsrsrs

De um modo geral, mulheres expressam amor falando, mimando, preparando uma comida especial. A mulher tem uma necessidade impressionante de se expressar através da palavra, falada ou escrita. Reparem como acontece a troca de mensagens entre homens e mulheres: a mulher escreve sete linhas e o homem responde duas...rs É assim que acontece! E não é porque a mulher gosta mais do homem do que o homem da mulher... É porque os bebês meninos andam antes de falar e as bebês meninas falam antes de andar! (sabiam disso?)

Os homens costumam ser mais discretos na hora de expressar o seu amor. Falam, sim, mas de uma forma mais discreta, sem plateia. Mimam, sim, mas normalmente em situações específicas, quando se sentem os protetores ou provedores. Homens gostam de se sentir poderosos e de oferecer os benefícios do seu poder à mulher (desde que o mundo é mundo). Homens possuem mais facilidade de expressar o que sentem quando fazem sexo e isso não tem nada de errado. Sou suspeita pra falar porque sempre disse que depois de uma bela noite de amor eu consigo perceber muito mais claramente e intensamente o que sinto.

Mas existe algo que é incontestável: homens e mulheres expressam seu amor através do olhar. Me aponte um casal andando junto e eu te direi como está aquela relação! Eu detecto de longe, na postura física e no olhar, uma mulher mal amada, mal nutrida de amor... e um homem mal cuidado, desconectado com sua contraparte feminina. Da mesma forma, um homem e uma mulher que não têm um relacionamento amoroso, ainda, podem expressar o seu nível de conexão, atração e interesse através do olhar e da postura: a necessidade de se tocar durante uma simples conversa, os sorrisos, o olhar do homem que costuma ser mais direto e o da mulher que costuma procurar e desviar. Tudo é tão sintomático...rsrsrs

Quando resolvi escrever este artigo estava pensando nas mulheres, sempre mais preocupadas com a relação e igualmente insatisfeitas, pra elas eu deixo um recado: eu sei que sentimos prazer pelos ouvidos, mas procurem olhar nos olhos do homem que vocês amam e busquem compreender as diferentes formas de ele expressar o que sente por vocês. Vocês podem se surpreender! ;-)


A Rainha de Espadas e o Amor - Parte 1

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Por dois dias seguidos, ontem e hoje, meu olhar foi puxado para questões do amor e dos relacionamentos. Como não acredito em meras coincidências, entendo que há uma razão para isso e ela tanto pode ser para uma auto reflexão como para um compartilhar com os amigos. Então cá estou eu, em uma sexta-feira de amorzinho, falando sobre o tema de Vênus.

Ontem, quinta-feira, ao sair da escola, me deparei com uma cena que me chamou a atenção... Encostado em um muro, num cantinho mais escuro da rua, lá estava um casal de namorados, aos beijos e amassos, sussurros e sorrisinhos. Confesso que acho isso muito legal! rs Não estou falando de atentado violento ao pudor, tá gente? Estou falando de uma expressão de amor e carinho que não se inibe com a ausência de paredes. Isso sempre me lembra os tempos idos... Época em que era tão gostoso namorar, passeando de mãos dadas, parando de tempos em tempos para um beijo, um mirar os olhos, uma troca de sorrisos que nem sabemos o motivo e que se resume em estar ali com aquela pessoa. Isso é magia pura!

Então, fiquei pensando sobre os aspectos positivos e negativos de cada fase em que amamos.

O amor adolescente costuma trazer muito sofrimento. É um tudo ou nada meio desesperador. Além disso, é comum que as pessoas se magoem de uma forma irresponsável, sem ter a noção do que podem causar ao outro. Quando somos jovens, também somos muito instáveis e muito exagerados. Isso acaba resultando em namoros tão rápidos que quem está em volta não consegue acompanhar e tão intensos que os envolvidos podem ser, facilmente, confundidos com criaturas bipolares.

Por outro lado, nesta época, nossa alma ainda está leve. Não acumulamos tantas dores, tantos traumas, tantos rancores... Ainda acreditamos no ser humano, acreditamos no amor, na doçura, na sinceridade de sentimentos e no romantismo (será que hoje em dia continua assim, ou sou muito antiga? rs). E apesar de todas as nossas inseguranças, conseguimos nos entregar muito mais do que depois que os anos passam. Arriscamos mais! Talvez porque tenhamos pouco a perder, talvez porque ainda não estejamos contaminados com a falta de confiança, fé e amor.

Os anos passam... Nos casamos e descasamos. Passamos por perdas, dores, desafios, a batalha profissional e a busca diária do ganha pão. Nossos olhos não enxergam mais os sentimentos com tanta pureza, nosso coração bate em outra velocidade (às vezes, já sob a ação de remédios), a vida não nos permite mais expressarmos a sagrada bobeira do amor...rs Aquele sorriso colado no rosto e a lombeira que é capaz de nos fazer passar uma tarde toda balançando numa rede pensando no jeito que ele ri ou as palavras que diz ao nosso ouvido quando nos abraça. Não temos tempo para amar, essa é a verdade! Temos que trabalhar, ganhar dinheiro, pagar as coisas, estudar cada vez mais, frequentar a academia, dormir e relaxar (porque ninguém é de ferro) e que tempo sobra para o amor? Depois de tantos términos, decepções, frustrações, desencontros, o amor vira quase um sinônimo de sofrimento e na maioria dos casos é mais cômodo não se arriscar novamente. Alguns preferem as relações superficiais, outros preferem a solidão, outros optam pela segurança confortável de manter uma relação mais ou menos. Mais ou menos gratificante, mais ou menos suportável, mais ou menos feliz.

Mas quem consegue lidar com a maturidade de uma forma positiva em relação ao amor, pode usufruir de algumas situações surpreendentes! As experiências podem nos trazer o olhar clínico que distingue, em poucos minutos, um possível namorado de um possível erro...rs Ironicamente, apesar de termos (em tese) menos tempo pela frente do que um adolescente, temos menos pressa. Não estamos sempre em estado de "tirar o pai da forca", nossas necessidades - físicas, mentais e emocionais - estão mais sob controle, somos capazes de dar o tempo certo das coisas. Como somos mais independentes e livres, esperamos menos dos outros, não dependemos de cada atitude alheia para nos sentirmos acolhidos e amados (apesar de que continuamos gostando disso, o acolhimento e o amor).

Uma das coisas mais belas que já presenciei (e vivenciei) é o relacionamento de um casal maduro apaixonado. O primeiro efeito maravilhoso é que ambos rejuvenescem. O brilho do olhar, a pele, o sorriso, até o jeito de andar muda! O processo de descoberta - de si e do outro - acontece uma oitava acima, porque nosso olhar está mais atento, somos mais sábios, mais experientes. Ao mesmo tempo, as borboletas no estômago e o coração batendo mais forte ignoram solenemente o número que aparece na certidão de nascimento. Temos todos 15 anos novamente. Nos tornamos mais criativos, mais vivos, fazemos planos, queremos passear nas férias, aproveitamos melhor o tempo e revigoramos os hormônios (bom demais!)

Em cada fase da vida haverá espaço para o amor e um diferente tipo de amor, com suas vantagens e desvantagens. Se soubermos usufruir do melhor que o amor (e a vida) pode nos oferecer, sempre haverá tempo para um beijo, sempre haverá valor em um carinho, a troca de olhares será nosso brilho, o enlaçamento das mãos será um bálsamo e a fusão dos corpos uma experiência única. Em certos momentos, confesso que tenho a vontade de implorar às pessoas: por favor, não desacreditem no amor! Não pensem que ele morreu, é ilusão ou utopia. Porque o amor é o que a gente faz dele. Falar mal do amor ou dos relacionamentos é falar mal de nós mesmos, pois somos nós que sentimos e nos relacionamos.

Bem... Pensei tudo isso ontem... Aí, quando foi hoje...

Hmmm... Mas esta história fica pra outro dia! ;-)

Como é a sua consulta?

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Hoje, eu li o email de uma moça que acompanha o Via Tarot e resolveu fazer uma consulta, mas antes gostaria de sanar uma série de dúvidas resultantes, em parte da sua curiosidade, em parte da sua experiência com outros profissionais. Achei tão válidos os questionamentos e tão explicativa a minha resposta, que resolvi transformar em postagem e trazer aqui para o blog. Espero que gostem!

Como é a estrutura da consulta? Quando ela é completa, incluindo mandala e perguntas, eu prefiro que a pessoa não fale nada antes e eu faço primeiro a leitura da mandala e já apresento um quadro geral da situação. Assim, não sou influenciada por nada que ela diga e posso ver com mais clareza o que o tarot informa. Depois, a pessoa faz perguntas no restante do tempo, na consulta por skype. Em termos práticos, a mandala toma 1h e depois temos uns 30 minutos para perguntas. Se a opção foi por email, com arquivos de áudio gravados, eu envio a mandala primeiro e depois respondo três perguntas objetivas.

Bem, agora eu vou explicar minha abordagem de jogo, que costuma ser diferente do que se vê de um modo geral. O meu foco, definitivamente, não é adivinhar o que vai acontecer, muito menos afirmar em quantos dias isso vai acontecer. Por duas razões:

1) Eu não acredito neste nível de precisão... O tarot não é um relógio ou um calendário, e o tempo é definido muito pela forma como a pessoa é e as outras pessoas envolvidas na situação também. Um exemplo: tenho clientes que fazem uma consulta completa, religiosamente, a cada três meses, porque esse é o tempo em que as coisas que saíram no jogo vão se mostrando... Outros aparecem a cada seis meses e outros a cada ano. E outros ainda em um mês e meio me procuram dizendo que tanta coisa já aconteceu e mudou sua vida, que precisam fazer um novo jogo. As pessoas são diferentes. Pessoas mais ansiosas costumam atrasar os acontecimentos, digamos assim... Enquanto aquelas que pensam menos e agem mais permitem que os processos se realizem de maneira mais ágil.

2) Eu acredito que somos nós que construímos o nosso futuro, dia a dia. O tarot serve para mostrar tendências, se vamos confirmá-las ou transformá-las, isso é nosso livre arbítrio. Por isso, meu tarot é de orientação. Eu mostro a tendência... Se ela for positiva, a pessoa continua agindo da forma como vinha fazendo antes, se for negativa, a pessoa precisa mudar suas posturas diante da vida. Outro detalhe: não sou eu que dou conselhos... Não sou eu dando a minha opinião. É o tarot que mostra o que a pessoa deve fazer. E quando, por acaso, eu sinto o impulso de opinar, eu aviso que é algo que eu estou "sentindo" ou pensando e que isso não tem a ver com as cartas. Gosto muito de diferenciar uma coisa da outra.

Minha relação com o tarot envolve a responsabilidade do que se diz a alguém e o tanto que isso pode influenciar seus passos a partir daí. Uma consulta de tarot pode funcionar como uma "maldição" se o profissional der o enfoque para os aspectos negativos, sem mostrar soluções e possibilidades. E eu pergunto: se o tarot mostrasse somente o que vai acontecer, sem possibilidade de mudança, de que adiantaria saber o que vai acontecer adiante? Somente para sofrer antecipadamente ou para "deitar em berço esplêndido" e não fazer nada, já que tudo vai dar certo mesmo? Não acho isso nada produtivo.

Em termos práticos, o tarot é muitas vezes mágico e mostra com uma exatidão incrível o que vai acontecer em seguida? Sim! Vira e mexe alguma cliente me escreve e diz: "Nossa! Aconteceu exatamente o que você falou e eu nem imaginava de que jeito isso poderia acontecer!" Isso é muito gratificante! Mas eu acho ainda mais gratificante quando uma cliente me escreve e diz: "olha, você falou que eu deveria mudar nesta postura e eu resolvi te ouvir e mudei e agora estou muito feliz porque consegui transformar uma série de situações da minha vida". Isso me deixa muito mais feliz ainda!

Existe uma verdade sobre a qual não podemos contestar, já dizia Newton...rs A toda ação corresponde uma reação. O que acontece na sua vida é resultado das suas ações... E também dos seus pensamentos e sentimentos, que vibram de uma maneira capaz de materializar situações, atrair ou repelir pessoas. Meu maior objetivo com o tarot é mostrar claramente isso, através do jogo e mostrar onde as coisas estão fluindo bem, onde há bloqueio, quais talentos você tem disponíveis e quais limitações estão atrapalhando a sua vida. A ideia é essa! ;-)

Bem... Acho que é isso! rs Ah, sobre "errar", nunca contabilizei isso... Mas pensando rapidamente me lembro de uma meia dúzia de vezes, nestes tantos anos de trabalho, de situações em que apesar do jogo mostrar uma coisa, a cliente insistia em "resignificar" o que saiu, tentando empurrar a situação para o que ela queria. Depois me procurava e dizia que tinha "dado errado" o jogo e então eu perguntava "em que aspecto, exatamente?" e ela me dizia. Então, ia lá nos meus arquivos e mostrava pra ela: "veja só o que eu escrevi aqui... É a mesma coisa que vc está falando?" Não... Nunca era...rs Daí a razão de eu sempre recomendar a todo mundo registrar a consulta. No caso da consulta feita por email, o arquivo de áudio fica guardado, mas mesmo no caso da consulta feita por skype, recomendo gravar e arquivar. Assim, evita-se qualquer mal entendido resultante da ansiedade ou dos desejos.

Blablablá??? Ou não...

quarta-feira, 21 de maio de 2014

Uma das minhas especialidades, desde a infância, é observar o comportamento humano, suas reações, suas interações e, principalmente, seus relacionamentos afetivos. Lembro de ainda bem pequena ser procurada pelas amigas para aconselhar sobre suas brigas com os pais, irmãos e outras amigas... Lembro do começo da adolescência, quando a carreira da "Dra Love" começou...rs Minhas amigas me procuravam para contar seus devaneios amorosos, suas dúvidas e conflitos nos primeiros namoricos e sobre os mistérios da sexualidade que começava a despertar. Pelo que me consta, sempre me saí bem no cargo de conselheira (até porque continuavam me procurando...rs), o que não queria dizer, necessariamente, que as coisas fossem tão fáceis pra mim.

Enxergar com clareza e sensibilidade o funcionamento das relações - infelizmente! - não garante que nossos próprios relacionamentos serão sempre tão harmoniosos e gratificantes. Uma coisa é saber o caminho, outra coisa é trilhar o caminho (já dizia Morpheus), especialmente quando o caminho é trilhado com outra pessoa.

Mas por que estou falando tudo isso?

O tema amor-sexualidade-relacionamento me encanta e fascina! Vira e mexe, falo sobre isso. Muitas vezes, falo sobre isso com o sócio, que, como (quase) todo homem, nem sempre tem muita paciência para ouvir este tipo de coisa...rs Mas ontem tivemos uma conversa bem instrutiva e interessante! :-) Ele postou algumas coisas no FB, baseado no que conversamos, e um amigo em comum veio e comentou: "discutir relação... blablabla..." Adoro este nosso amigo, mas o comentário dele expressa o que pensa a maioria arrasadora dos homens e explica a igualmente arrasadora dificuldade de homens e mulheres se relacionarem de forma gratificante.

Vou fazer uma afirmação polêmica, mas totalmente embasada no que eu vejo e ouço em 15 anos como taróloga e terapeuta, como amiga-conselheira e em minhas próprias vivências também: os casamentos e relacionamentos mais longos só se mantém porque em aproximadamente 70% das vezes as mulheres exercitam a generosidade, a paciência, a compreensão em doses maciças, normalmente a custa da sua própria felicidade amorosa. Ou seja, se as mulheres agissem em relação ao relacionamento tal qual os homens, creio que não existiriam mais relacionamentos longos...rs Dos 30% restantes, temos casos de maridos compreensivos e realmente interessados no que a mulher sente; temos casos de mulheres que já arrumaram um amante porque esta é a única forma de conseguir administrar a frustração em relação ao seu casamento; temos as mulheres que assumiram tantas funções masculinas, que acabaram por se preocupar mais com o crescimento profissional e a conta bancária do que a relação afetiva; e tem as mulheres que resolveram substituir a realização amorosa e sexual pela realização consumista... seja com o dinheiro conquistado por ela ou pelo marido, essas mulheres trocam facilmente orgasmos por joias, jantar romântico por carro novo e um carinho por viagem caras.

A relação entre homens e mulheres feliz e gratifcante é possível? Sim, é... Contanto que as mulheres se tornem mais seguras e menos neuróticas em relação ao que os homens sentem, pensam e fazer (autocrítica pra nossa "classe" também é sempre bom..rs) e que os homens passem a considerar o relacionamento afetivo tão importante quanto o seu status profissional, sua conta bancária e seus projetos individuais de vida. As perguntas que eu faço são: 1) o que se faz quando um negócio começa a fracassar? 2) o que se faz quando há a percepção de que se está defasado em relação ao mercado de trabalho? 3) o que se faz quando um projeto começa a não dar certo? 4) o que se faz quando o corpo não responde mais da mesma forma na prática de um esporte? 5) o que se faz quando o dinheiro que se ganha começa a não pagar as despesas do mês? E as respostas são, respectivamente: 1) reunião de negócios para desenvolver um novo plano de ação! 2) volta-se ao banco de escola para fazer uma especialização! 3) hora de repensar o projeto, discutir novos caminhos 4) momento de ir para a academia suar a camisa para fortalecer o corpo 5) conversa com a família para ver como cada um pode ganhar mais dinheiro ou fazer algum sacrifício, economizando recursos. Ou, de forma genérica: prestamos atenção ao que está acontecendo, conversamos sobre isso com as pessoas envolvidas, analisamos o que precisa ser mudado e nos empenhamos para que isso aconteça.

Por que é tão fácil pensar isso tudo e encarar tudo isso com normalidade e na hora de "discutir a relação" há tantos narizes torcidos? Por que eu nunca vi alguém, quando chamado a rever sua postura no trabalho, reclamar "ai, que saco, tenho que discutir a relação com meu chefe (meu colega de trabalho, meus sócios)? Temos duas possibilidades de resposta aqui: 1) não se dá à vida afetiva a mesma importância que se dá à vida profissional, financeira, esportiva, estética, etc... ou 2) as pessoas acreditam que relacionamento afetivo é algo que se resolve espontaneamente, sem que precisemos pensar nele, debater sobre ele.

Bem, o amor é algo espontâneo! Ele acontece ou não acontece, e muitas vezes nem temos controle sobre ele! Em função disso, vemos por aí muitas declarações do tipo: "eu não sei porque gosto tanto dele!" Mas a partir do momento em que amamos alguém e nos relacionamos com essa pessoa, isso se torna algo "pensável, questionável e debatível"...rs

Existe um fato sobre o qual não podemos questionar: nossa atenção se prende naquilo que é importante para nós. O que não tem importância nunca é citado, lembrado... não perdemos muito do nosso precioso tempo naquilo que não tem importância alguma para nós. Então, encerro aqui este artigo colocando um tema para meditação que deve ser analisado com profundidade: quanto do seu precioso
tempo você investe na sua relação? Quanto do seu precioso tempo você dedica ao crescimento e aperfeiçoamento do seu relacionamento afetivo? A resposta será a exata expressão do quanto você dá importância para a concretização do amor (relacionamento afetivo) na sua vida.

O brilho está dentro

sábado, 12 de abril de 2014

Em um dia em que o brilho da Estrela nos ilumina, aproveito a carona para transcrever aqui parte de uma mensagem enviada a uma cliente, resguardando, claro, sua privacidade e seu anonimato .

Faço isso porque o que escrevi ilustra bem a maior parte dos relacionamentos afetivos problemáticos que já conheci, inclusive os meus (rs), e a solução está no foco do nosso brilho interior, nosso contato com a Divindade que existe em nós.

Pois bem, cá está! :-)

Os processos mais dolorosos que temos na nossa vida (fora doenças nossas e de pessoas queridas e morte de pessoas queridas), costumam ser de relacionamentos afetivos. É claro que existe uma parte dessa dor que acontece mesmo, deve ser sentida, vivenciada, como um luto... para que depois possamos nos renovar. Mas eu diria que a maior parte desta dor não precisa acontecer.

Costumamos colocar muita expectativa no outro, especialmente a expectativa da nossa felicidade. Acredite, nesse sentido, de fato, não podemos acreditar em ninguém. Porque ninguém pode ser responsável pela nossa felicidade, a não ser nós mesmas. Isso acontece porque não somos completas e íntegras em nós mesmas, criamos vínculos de dependência com o outro, criamos uma ideia de que não temos como encontrar a felicidade a não ser através do outro.

Enquanto pensamos assim, realmente, é muito difícil evitar as dores. Agora, o mais interessante é que, muitas vezes, é quando absorvemos essa verdade - de que a felicidade está dentro e não fora - quando nos tornamos livres, independentes e realizadas em nós mesmas (desenvolvendo o amor próprio através do auto cuidado, encontrando uma carreira profissional realizadora, descobrindo talentos e habilidades que podem ser expressos de diversas formas, tendo uma vida social enriquecedora, compartilhando momentos com familiares e amigos de forma harmoniosa e amorosa, etc... etc...), que aparece o relacionamento amoroso ideal ou o parceiro que está ao lado "adormecido" pelos anos de convívio desperta. Porque passamos a atrair pessoas que estão nesse mesmo nível de vibração, nesse mesmo estágio de vida, nessa maturidade e realização pessoal.

Aí eu falo aquilo que comento sempre no blog: é fácil? Não! Mas é simples... É simples de entender e é claro o que se deve fazer, no entanto, é difícil sair da nossa forma de pensar e sentir as coisas, do nosso condicionamento anterior. Certa vez uma cliente me disse: "mas como é que eu não vou ficar pensando nele o tempo todo?" Resposta: "pensando em outra coisa que te faça bem". Vê... É simples, o que não quer dizer que seja fácil.

De um modo geral (e eu me incluo nisso com toda certeza), temos a tendência a colocar no outro a culpa do fracasso da relação. Mas precisamos entender o relacionamento afetivo como uma criação resultante da energia de duas pessoas. Se ele é bom ou ruim, se ele perdura por anos ou se acaba de uma hora pra outra, cada um tem 50% de responsabilidade por isso. Responsabilidade quer dizer contribuição para que a relação seja do jeito que é. E a contribuição se dá através de: atitudes, pensamentos, sentimentos, palavras e silêncios (aquilo que não falamos, mas vibramos em todas as nossas células, resultante do condicionamento que trazemos de família, de outros relacionamentos ou de outras existências, para quem acredita nisso).

Existem algumas pistas que são boas para fazer uma análise da nossa vida afetiva: observe se acontece na sua vida a repetição de problemas de relacionamento... Se você se sente sempre do mesmo jeito, como se trocasse o personagem do outro lado, mas todos eles fazem com que você se sinta na mesma situação. Perceba se está sempre esperando algo que nunca chega, buscando alguém que não existe, se sentindo perseguida e/ou rejeitada e/ou desvalorizada e/ou ignorada. Quando essas coisas se repetem em relacionamentos diferentes, podemos concluir que a única coisa que há em comum em todas as relações somos nós, então é provável que dentro de nós esteja a chave para solucionar isso.

É bom prestar atenção em um fato: não é coincidência que algumas pessoas tenham "sorte" no amor e outras não... E nem se trata de sorte, mas, na verdade, é como um rádio que pega melhor as frequências e outro rádio que faz mais barulho, chiado, do que toca música. Às vezes, a pessoa passa pela vida só com chiados amorosos... Provavelmente, existem condicionamentos bem negativos em relação à vida amorosa dentro dela. Outras vezes, ela alterna chiados com música limpa, som maravilhoso. É preciso descobrir o que causou a oscilação, para que ela não aconteça mais. De qualquer forma, por mais doloroso que seja, é fundamental a percepção de que tudo que nos acontece, inclusive na vida amorosa, é resultante de algo que existe em nós - consciente ou inconscientemente, que fique claro - e a melhor notícia de todas é que: se está dentro de nós, temos poder de melhorar, mudar, transmutar. Então, mãos à obra!

Tarot: ciência ou religião?

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Navegando na sincronia do Via Tarot, vou aproveitar para desenvolver um pouco mais o tema que surgiu, ontem, entre os comentários: seria o tarot uma ciência ou uma religião?

Bem, eu aqui, com meu habitual bom-humor, poderia escrever o artigo mais curto da história, dizendo somente: nem uma coisa, nem outra. Mas vou conter meu ímpeto piadista e vou conversar que nem "gente grande"...rs

Se pensamos no tarot como um tipo de ciência, podemos associar a ele uma série de conceitos, explicações e exemplos. Estamos lidando com um teste de probabilidades, em que uma pessoa escolherá, digamos, cinco entre 78 cartas. Estamos usando uma metodologia experimental, em que, após escolher determinadas cartas, será feita uma interpretação associando as cartas escolhidas à realidade de vida da pessoa; e a pessoa, lógico, terá como perceber na hora se tudo o que é dito faz sentido ou não.

Se associarmos uma consulta de tarot à ciência moderna, que fala de teoria quântica, campos de energia e mais mil coisas que revolucionaram os antigos conceitos de o que é "racional" ou "científico", então podemos ampliar ainda mais os exemplos e, creio, chegaremos a concordar que é possível encontrar um espacinho dentro desta ciência que rompe paradigmas para a prática do tarot.

Tudo isso não faz com que o processo nos pareça menos misterioso. Há 20 anos estudo o tarot e ainda continuo achando tudo muito misterioso e encantador! E a minha própria percepção de como ele funciona vem, neste período, também modificando, amadurecendo e permitindo que o novo se manifeste. Por exemplo, logo que comecei a jogar, acreditava que era fundamental estar frente a frente com a pessoa, acreditava que era necessário estar em contato visual com ela, estar (numa linguagem clichê espiritualista) em contato com seu campo áurico. Outro detalhe: sempre deixei que a própria pessoa selecionasse as cartas que fariam parte do jogo a ser interpretado, ao contrário de muitos tarólogos que pedem para que a pessoa somente "corte" o monte de cartas. Hoje, dou consultas através do MSN ou skype e SEI que não há a necessidade da presença física pelo simples fato de (mais um clichê...rs) espaço/tempo não existir.

Para ser 100% sincera com vocês, posso citar uma série teorias que explicariam perfeitamente o fato de "a coisa toda funcionar tão bem", mas creio que nenhuma delas é suficiente... fica sempre algo meio artificial, como se quiséssemos criar o fato para encaixar na teoria. Em relação a tudo na vida, inclusive ao tarot, já há alguns anos desisti de buscar explicações absolutas (até porque não acredito em verdades absolutas) e aprendi a respeitar e até me encantar com o Mistério. O Mistério é simplesmente aquilo que acontece, mas ainda não temos instrumentos mentais e sensoriais para compreender; mas não há como negar que acontece.

E é o Mistério que também faz, neste momento, com que eu passe ao segundo tema: a religião. Em primeiro lugar, vamos combinar...? O sentido primordial de religião já caiu por terra há tempos! O religare, o processo de reconectar com a Divindade está longe de ser o que acontece atualmente na maior parte das religiões que conhecemos. Religião virou uma instituição onde existem: normas, regras, hierarquia e dogmas. Então... Graças a Deus que o tarot não virou religião! :-))))

Como eu também não quero ser radical como aqueles a quem critico, espero que todos compreendam aqui que quando falo das religiões e de seus seguidores estou sendo bem genérica, porque gente boa e gente ruim temos em todos os cantos... Nos "meus cantos" então, posso dizer que conheço bem: maus jornalistas, maus tarólogos, maus funcionários públicos... Tenho um enorme "telhado de vidro" quando o assunto é a área profissional em que se atua...rs

Por outro lado, o tarot age como um instrumento de religação ou reconexão com a divindade interna, que, por sua vez, está ligada a tudo que há no mundo. E isso que acabo de escrever, longe de ser interpretado como algo religioso, faz parte dos conceitos utilizados pela ciência atual. Aliás, lá no Pistas do Caminho existem vários e vários vídeos muitos interessantes que falam sobre isso (acho que vou cobrar do sócio uma comissão pela publicidade! rs)

Enfim... A resposta era aquela mesma: nem exatamente ciência e nem exatamente religião. Mas sempre há tanto mais o que falar, não é mesmo? :-)

Para os curiosos de plantão, hoje é dia do Sol ou o famoso "Sunday": Arcano 19 bem bonito para todos nós, em especial para a minha mãe e leitora assídua(diga lá, dona Flora! rs), já que hoje é o Dia das Mães aqui no Brasil! ;-)

Abre caminhos, traz o amor em 3 dias, cura mau olhado, quebra feitiços... Será?

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Olá, amigos!

Nosso artigo de hoje vem questionar os super-poderes de tarólogos e a retranca dos consulentes dentre outras coisas. Ou seja, estamos todos na berlinda! Rs Este texto faz parte de um conjunto de vários artigos, estudos e comentários empacados há anos aqui no computador, com a pretensão de virarem livro algum dia. Acho que a questão agora deixou de ser escrever e passou a ser montar o quebra-cabeça. Um dia sai...

Bem, espero que aproveitem as recomendações, reflitam sobre cada item e depois comentem.
Beijão e até amanhã!

Dicas básicas de como não cair nas mãos de um tarólogo manipulador:

1 – Desconfie sempre dos onipotentes, aqueles que jogam todos os oráculos muito bem, trabalham em diversas escolas iniciáticas, sabem de tudo, resolvem todos os problemas possíveis desde marido boêmio até artrite, de impotência à falta de dinheiro, de mau-olhado à crise de identidade.... Deve-se partir de um princípio: um tarólogo é apenas alguém que estudou os arquétipos e se dispôs a abrir a sua intuição de uma forma mais intensa do que as pessoas em geral.

2 – Faça uma auto-análise e avalie até que ponto que você não está “testando” o tarólogo.... Por uma simples razão: você será pego pela sua própria armadilha.... Veja bem... Uma pessoa desconfiada, chega num tarólogo pensando “essa pessoa quer me enganar, vou ver se ela adivinha mesmo alguma coisa... Não vou dizer nada, ficarei muda como uma porta, vejamos o que ela me diz...” Sinto lhe dizer que quem joga tarot, mesmo que não tenha muita ética, provavelmente terá bastante sensibilidade, perspicácia e pelo menos o mínimo de conhecimento da simbologia das cartas.... Ou seja, são pessoas bem treinadas, articuladas, que saberão como conseguir a “migalha de milagre” que o consulente está precisando. E aí, alimentada esta esperança, tudo que o tarólogo disser será Lei, porque “ele já foi capaz de adivinhar aquela coisa que só eu sabia...”

3 – Humildade é um aspecto que deve ser cultivado pelos seres humanos e que raramente é bem compreendido. Ser humilde não é ser coitadinho, é falar com convicção as suas verdades, mas ter sensibilidade, compreensão, generosidade para entender o outro. Assim deve ser também um tarólogo: é importante dizer a verdade, mas da forma correta. Se algum dia você foi a um tarólogo sorrindo e saiu chorando pode ter certeza de que o problema não era seu, era dele... Todas as pessoas que trabalham com seres humanos precisam de um mínimo de psicologia para saber qual é a forma mais adequada de transmitir alguma informação. Não se vai a um tarólogo para prever desgraças, mas para buscar a solução dos problemas...

4 – A questão da adivinhação é outro aspecto interessante... Já ouvi falar de excelentes videntes(tarólogos não vêem coisas, dizem o nome o namorado novo ou adivinham a morte de um familiar... São as videntes que fazem isso e ocasionalmente podem utilizar um baralho de tarot...) Elas acertam tudo e..... deixam a pessoa arrasada. Depois de jogarem todas as informações inesperadas e chocantes na cabeça do seu consulente, dão um sorriso, recebem seu pagamento e acompanham a pobre criatura até a porta, desejando-lhe um “bom dia”. Mas como ter um bom dia depois de previsões tão terríveis??? Bem, isto já não é problema da vidente... Talvez uma consulta com o psicólogo dê jeito.
Quem leu o clássico O Pequeno Príncipe sabe das responsabilidades que assumimos por todas as coisas que influenciamos, participamos, criamos... Mas isso não está somente neste livro infantil, também está(apesar de se apresentar com outra roupagem)na Lei do Karma, e até na antiquada formulação Newtoniana “ a toda ação corresponde uma reação....” As pessoas dão tanto valor à adivinhação e não percebem que o mais complicado é orientar o consulente, diante da realidade que se apresenta para ele naquele instante.

Percebo o nível de segurança interior de uma pessoa de acordo com a sua postura ao se deparar com um baralho de Tarot. Para alguns, criar uma relação de confiança e credibilidade depende basicamente de “acertar” problemas chave logo no início do jogo; para outros, o silêncio sepulcral se perpetua até a última virada de carta, como se a dúvida ainda pairasse no ar até o momento de ir embora... Nas primeiras vezes em que joguei, me entusiasmava tanto quanto o consulente a cada confirmação sorridente – “é isto mesmo, é isto mesmo!” Hoje em dia, me questiono se não seria mais produtivo pularmos essa parte dos “efeitos especiais” e partirmos para a tomada de consciência, que é o fator fundamental para que cada um de nós possa reconhecer, avaliar e resolver os nossos problemas.

5 – Outro alerta: tarólogos que estão constantemente puxando a pessoa para novas consultas não estão tendo a ética como princípio profissional. O jogo não pode ser uma muleta... A pessoa deve saber tomar decisões, senão com o passar dos anos ela não saberá escolher um filme para assistir no final de semana sem consultar a sua taróloga particular. Não podemos nos transformar em personal training do misticismo, acompanhando os consulentes diariamente, em cada passo que dão. Ao contrário, temos que, dentro do possível, transformá-los em seres livres, que sabem fazer as suas próprias opções e que buscam o tarot para ampliar o auto-conhecimento e para darem atenção a determinada oportunidade que está para surgir, mas que ainda não tinha sido percebida pela sua mente consciente. Quem se consulta com um tarólogo mais do que uma vez por mês está precisando ir a uma clínica de desintoxicação mística urgentemente! Abrir um jogo a cada dois ou três meses é mais do que suficiente para se manter atento a todas as situações novas ou desconhecidas da vida que possam surgir, uma freqüência maior do que esta eu considero desaconselhável, pois ao invés de trazer equilíbrio, tende a gerar uma inquietação ainda maior.

6 – Se você é do tipo que vive trocando de tarólogo, sinto lhe informar: a sua vida é esta mesma e não será mudando de tarólogo que você conseguirá mudá-la... Ao contrário, sua tendência é encontrar um embusteiro profissional que lhe diga todas as coisas lindas que deseja ouvir e que não adiantarão de nada para a resolução dos seus problemas, a percepção do seu EU interno, a dissolução de seus bloqueios... É fácil falar o que as pessoas querem ouvir, o difícil é mostrar aquilo que elas tanto tentam esconder de uma forma suave, carinhosa, com cumplicidade, para que ela não se sinta julgada, ameaçada ou condenada.

Dicas para ser um bom consulente

Em primeiro lugar procure um bom profissional e para isso deve-se levar em conta indicações de pessoas de confiança, ao invés de cartazes coloridos e cinematográficos, propagandas de rua e serviços do tipo 0900. Se você faz o estilo “paciente buscador” siga o caminho mais correto: todos os dias antes de dormir, logo ao se deitar, relaxe, e visualize exatamente o tipo de profissional que você deseja encontrar. Ele possui alguma característica que lhe seja essencial? É um homem? Uma mulher? Como se apresenta a você? Tente “sentir” as imagens mais do que propriamente criá-las, elaborá-las. Se você estiver com o seu canal intuitivo aberto, tudo isto fluirá naturalmente. Esta é a semente de um futuro encontro, pois, como veremos mais adiante, a sincronicidade é uma realidade no nosso dia a dia.

Bem... Nem todas as pessoas são tão pacientes ou vivem momentos zen na sua vida diária. Aliás, grande parte das pessoas que procuram um tarólogo o fazem no momento de stress... De qualquer forma, mesmo precisando passar por um “processo de garimpagem instantâneo” é bom manter os olhos bem abertos... Aliás, os olhos nem precisam ficar tão alertas, para variar, ligue outros pontos de sensibilidade durante o primeiro encontro com o seu futuro consultor, deixe a sua percepção oculta, a sua intuição sentir, reagir diante deste encontro. Sentiu arrepios? Ficou mais alegre ou mais triste depois do encontro? Teve uma sensação de esgotamento energético? Saiu alimentado, esperançoso? Saiu como entrou? Anote tudo isso... Achar um bom tarólogo é algo muito menos técnico e muito mais “químico”, e depende muito mais da interação entre consultor/consulente do que do valor intrínseco de cada um...

Depois que você já conheceu o tarólogo e avaliou a sua competência profissional e ética, chegou a vez de observar a sua sensibilidade... Este é um aspecto importante levando-se em conta que na maioria das vezes em que se procura este tipo de serviço, a pessoa está fragilizada e envolvida com alguma delicada situação emocional. Passando por esta avaliação completa, o consulente deve se entregar ao momento de consulta. Deixando fluir livremente a sua energia, será possível obter uma consulta mais precisa e respostas mais completas.

Alguns pequenos detalhes também devem ser observados e podem contribuir muito para o trabalho do tarólogo:

1 – Antes da consulta, reflita em relação a sua vida e às questões que estão envidenciadas naquele momento.

2 – Evite fazer isto em meio à correria do trabalho ou de outras atividades diárias... Você deve estar voltado para aquele momento de auto-conhecimento, concentração é fundamental...

3 – Ao sentar-se para o início da consulta, mantenha pés e mãos descruzados para que a energia possa fluir mais livremente por todo o seu corpo.

4 – Algumas escolas iniciáticas afirmam que a mão esquerda é a mão da intuição e com ela devemos “escolher” as cartas para montar um jogo... Eu acredito que esta é uma questão individual. Eu prefiro escolher com a mão esquerda por pura questão de hábito, no entanto, já presenciei formas variadas de escolher cartas que não influenciaram o resultado final do jogo. A intenção é tudo e ela irá definir o jogo muito mais do que as mãos físicas do consulente.

5 – Se você precisa que o tarólogo faça um jogo de abertura antes de lhe contar quais as questões fundamentais pelas quais está passando, tudo bem... Mas não torture-o demais... Logo depois do jogo de abertura, comece a fazer perguntas mais diretas e mesmo que não queira explicar o que está acontecendo, pelo menos defina o assunto. Assim o tarólogo poderá abrir um jogo específico para a “vida amorosa” outro para “oportunidades profissionais”. Quanto mais claras forem as perguntas, mais claras serão as respostas.

6- Durante muito tempo fui resistente aos jogos feitos à distância: por telefone, por e-mail, MSN e afins. Precisei testá-los diversas vezes com pessoas da família e amigas próximas até aprovar sua eficácia. Percebi que a energia flui não importando onde se esteja (sim, espaço e tempo são relativos!) e a conexão com o que chamo de egrégora do Tarot é algo tão harmonioso, que muitas vezes fazendo o jogo sem a presença da pessoa, ou seja, estando mais à vontade, relaxada, dentro de casa, sem precisar ter uma determinada postura mais sociável, a intuição flui de forma mais profunda e ampla. Os resultados têm sido muito bons e hoje já não tenho mais o antigo preconceito em relação ao jogo à distância. Mas, ainda assim, continua a dica: atenção na hora de escolher o tarólogo, procure “conversar” antes, troque mails, esclareça todas as suas dúvidas, “sinta” a sua energia para somente depois disso marcar a sua consulta.

É só tarot? Não... Não é!

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Já estava indo dormir, depois de fazer a postagem de hoje, quando me veio à mente uma frase que uma amiga-cliente muito querida me disse certa vez: "Claudinha, o que você faz não é só tarot!"

Eu concordei, claro, mas em um primeiro momento pensando de modo bem pragmático, porque eu recomendo em certos casos alguns recursos de aromaterapia, fitoterapia, práticas como Ho'oponopono, recapitulação...  Então o que eu faço não é somente uma consulta de tarot, pois envolve também algumas terapias complementares.

Mas também é mais do que isso!

A maioria das pessoas costuma procurar uma consulta de tarot para saber coisas. Saber o que vai acontecer. Saber o que alguém está pensando ou sentindo em relação a ela. No entanto, eu confirmo a Lei da Atração a cada dia de trabalho observando cada cliente que chega, com seu objetivo ao buscar a consulta. A maior parte das pessoas que me procuram não quer somente respostas simples, quer também perguntas, questionamentos, quer pensar junto com o tarot e, de certa forma, comigo. Isso é gratificante, porque elas abrem a possibilidade de irmos mais além, fazermos algo que considero muito mais importante e profundo: um trabalho de auto-observação, de análise de atitudes, de reflexões sobre o que se está pensando e sentindo e a busca de uma resolução que deixe a pessoa mais inteira em si, mais plena.

Esse processo precisa ser feito sempre com muita delicadeza, pois , além de eu não ser a dona da verdade, existem resistências interiores nas pessoas que precisam ser acarinhadas antes de serem mexidas de forma mais profunda. E creio que era sobre isso que a amiga-cliente estava falando...

Costumo dizer sempre que para jogar tarot não basta saber o significado das cartas, mas além disso é preciso ter um talento especial em lidar com as pessoas. Gentileza equilibrada com firmeza, sutileza para fazer com que elas, por conta própria, concluam certas coisas que podem parecer óbvias para quem está de fora, mas que se forem simplesmente ditas não terão um efeito tão transformador. Procuro fazer perguntas, questionar, ao invés de afirmar. E junto com o cliente vou desvendando com muito cuidado aquilo que ele ou ela, a princípio, não gostaria de enxergar. Com respeito em relação as suas dores, experiências, medos e desejos.

Nem sempre a resposta do tarot é aquela que o cliente quer, mas é possível mostrar que aquilo que lá está pode ser um ensinamento importante, pode ser um desafio de crescimento, pode resultar em uma surpresa incrível mais adiante. A vida não é como a gente gostaria que fosse, muitas vezes, mas podemos tirar o melhor da experiência sempre!

E quanto mais eu trabalho com o tarot, mais cultivo em mim a humildade. Não a humildade hipócrita! Porque sei que sou boa no que faço, mas a humildade de estar sempre aprendendo junto, de estar sempre aprendendo com o aprendizado dos outros, de não julgar o outro e de acolher suas dúvidas como acolheria as minhas próprias, só que com a vantagem de não estar envolta em suas dores, o que me permite mais clareza de análise.

Então, hoje, compreendo perfeitamente a frase "isso não é só tarot". Porque é muito mais! É algo que nem sei se seria capaz de ensinar a alguém, porque acontece espontaneamente e cada vez mais, conforme eu também vou me trabalhando interiormente e crescendo como ser humano. E o que desejo para mim é o que desejo para cada pessoa que me procura: que ela seja cada vez mais plena, feliz e confiante. E eu amo muito tudo isso! :-)

Destino e Livre-Arbítrio

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Olá, queridos amigos!

Seguindo o conselho do "sócio", começa neste domingo o espaço de reflexão do Via Tarot. Ou seja, de segunda a sábado teremos sempre o Arcano do Dia e aos domingos um tema será abordado, dentro do amplo universo do Tarot. Espero comentários e participação, certo?

Pois bem... Destino e Livre Arbítrio... Esses são dois conceitos com os quais lido freqüentemente.
De um modo geral, percebo que as pessoas que me procurarm para uma consulta estão vibrando na mesma freqüência, ou seja, são pessoas que buscam o auto-conhecimento, que querem saber mais sobre si mesmas e as possibilidades de se desenvolverem, crescerem, amadurecerem. Muitas também chegam querendo saber o que elas não estão enxergando, o que está acontecendo que elas não conseguem compreender e com isso não conseguem mudar o rumo da vida. Raras, muito raras são aquelas que chegam exigindo adivinhações precisas de um futuro distante sem que haja um pingo de trabalho pessoal a ser executado.
Creio que isso prova, mais uma vez, que semelhante atrai semelhante e que o mundo das relações humanas funciona de forma oposta ao mundo das relações moleculares...rs
Não tive a curiosidade de fazer uma estatística nestes mais de 10 anos de trabalho com consultas de Tarot, mas fazendo uma rápida retrospectiva, poderia dizer que tive uma consulta em que a pessoa queria tanto ouvir uma determinada resposta que ficou quase três horas (intermináveis e desgastantes) metralhando meus ouvidos de perguntas, que recebiam sempre as mesmas respostas de diferentes maneiras, com variados Arcanos. E teve uma outra vez em que uma cliente, muito magoada com uma relação afetiva que vivia, queria a todo custo que eu revelasse que seu companheiro era um cafajeste, um cretino, mas não havia nada no jogo que revelasse isso. Na verdade, o jogo era bem claro e dizia que ele a amava, mas ela precisava mudar suas atitudes senão ele iria embora. Não preciso dizer que depois de duas consultas e mil telefonemas (quase mudei o número!) ela nunca mais apareceu e provavelmente acha que a culpa de tudo ter dado errado foi do Tarot ou minha.
Mas, com exceção dessas duas vezes, todas as outras consultas foram “normais”. Algumas pessoas são mais ansiosas; outras menos; algumas pessoas só aparecem quando algo as incomoda; mas tenho clientes que aparecem, religiosamente, a cada três meses para dar uma olhada geral, encaram o Tarot como uma homeopatia... uma “medicina da alma” preventiva, em que estando sempre atento para o que acontece dentro e em volta será possível prevenir tropeços e enganos. A maior parte dos meus clientes fixos, aqueles que se consultam pelo menos duas vezes por ano, é formada por pessoas espiritualizadas, inteligentes, com um bom nível de estudo e que estão buscando a forma mais harmonizada de viver.
Talvez por ter clientes com este perfil, percebo que é fácil falar sobre livre-arbítrio. É simples explicar que o destino é feito por nós a cada dia. Na verdade, acredito que existe um tipo de rascunho de vida, com alguns eventos mais ou menos definidos, mas 95% de tudo que acontece na nossa vida é resultado de pensamentos, sentimentos e ações ou seja: nós somos responsáveis (de forma consciente ou não) por tudo que nos acontece no decorrer da vida.
Pode parecer cruel, mas é real. Precisamos estar sempre atentos para analisar o que estamos atraindo para a nossa vida através de nossos atos. É comum observar mulheres que se dizem infelizes pois não têm sorte no amor, mas se olharmos suas atitudes fica fácil compreender que não é uma questão de sorte, mas de lógica. O ser humano é um ser que baseia a sua existência no relacionamento e no entanto parece saber tão pouco sobre o relacionar-se.
Para que vocês compreendam claramente o que digo vou dar um exemplo, um exemplo sem vestígios de julgamentos ou conteúdo moral, é lógica pura: uma mulher reclama que todos os homens com os quais ela se relaciona não são cavalheiros, gentis, românticos, não “cuidam” dela como ela gostaria, na verdade, quando tiveram alguma chance esses homens empurraram para ela o trabalho, o esforço, o pagamento da conta e a responsabilidade sobre tudo. Então vamos ver como essa mulher se comporta: faz questão de mostrar que é independente, livre, não se prende a homem algum, quando tem vontade de chorar troca o choro pelo grito... Quando se sente carente, imprensa o homem na parede fazendo cobranças... É ansiosa e corre para resolver tudo porque não tem paciência para esperar uma atitude do companheiro que, segundo ela, é “descansado demais”... está sempre exigindo, decidindo, resolvendo porque não tem tempo a perder.
Eu não sei vocês, mas eu olho para esse contexto e compreendo perfeitamente porque os homens agiram daquela maneira. Vejam bem: não estou concordando com eles! Estou simplesmente compreendendo o que levou cada companheiro dessa mulher a agir da forma que agiu. De um modo geral, as pessoas não são loucas (se bem que conheço exceções...rs), elas não tiram o seu comportamento do éter! Elas estão reagindo... somos seres reativos... então, a toda ação corresponde, sim, uma reação que com ela encaixa perfeitamente. Toda vez que nos perguntamos “mas por que fulano agiu assim comigo?”, antes de passarmos para a possibilidade da loucura, deveríamos prestar atenção em como agimos com fulano.

Há também uma outra questão, ainda mais sutil, que envolve não somente a forma como agimos ou falamos diretamente com as pessoas, mas as mensagens silenciosas que emitimos, normalmente sem percebermos... Mas isso é outra conversa... Uma conversa para o próximo domingo. Até lá! :-)

Imagem: óleo sobre madeira "Adão e Eva", de Rubens.

Pra que apagar incêndios?

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Este artigo é fundamental para quem costuma fazer consultas de tarot e outros instrumentos de autoconhecimento. Peço especial atenção aos leitores...

O que normalmente acontece, na correria do dia-a-dia, é que os problemas, tanto os de ordem prática, externos, quanto os conflitos interiores acabam se acumulando. O velho truque do "vamos empurrar com a barriga" é o mais usado, mesmo que os resultados não sejam os melhores.

É comum que as pessoas procurem uma consulta de tarot quando o problema chegou a um ponto, de fato, incômodo. O relacionamento afetivo está insustentável, as relações conflitantes no trabalho geram problemas de saúde, brigas já estão acontecendo em família. Temos ainda as situações desgastantes e silenciosas: por que não arrumo um namorado? Por que sempre que arrumo um namorado a relação não é boa? Por que certos problemas se repetem na minha vida, em tempos, lugares e com pessoas diferentes? Por que me sinto desanimada, deprimida, ansiosa?

São tantas interrogações, que só podem expressar um fato inquestionável: está acontecendo algo dentro da pessoa e ela não está enxergando as suas causas e muito menos sabendo encontrar a resolução. Esta é uma típica situação em que a consulta ao tarot apresenta seus resultados de maneira mais profunda.

Bem, então eu pergunto - como o título do artigo - pra que apagar incêndios? Pra que esperar que as situações estejam assim, pela hora da morte? Trazendo mal estar, angústia, raiva, ansiedade, sensação de que o mundo está caindo em cima de nós? Não parece mais lógico e inteligente estar sempre consciente dos processos que nos cercam e daqueles mais profundos, interiores? Não parece mais eficaz buscar a auto-observação para uma tomada de consciência de quem somos, o que estamos atraindo para nossas vidas? Não parece mais interessante olhar para o nosso futuro como uma gama de possibilidades em relação as quais temos o poder da vontade para decidirmos o que queremos que realmente aconteça?

Na segunda-feira, postei um artigo aqui falando sobre relacionamento afetivo. Nele eu destacava o fato de que as pessoas pouco investem nele enquanto investem (energia, tempo, atenção, dinheiro) na carreira profissional, acadêmica e mesmo na beleza do corpo. O mesmo costuma acontecer em relação ao autoconhecimento e à cura emocional... O quanto se investe nisso, no dia-a-dia? Bem pouco, de um modo geral... É mais fácil perder horas no Facebook, sair para a balada ou gastar fortunas em salão, cosméticos e roupas... Mas e o cuidar de si? E o crescimento pessoal, emocional? É preciso lembrar que uma pessoa em conflito não conseguirá se desenvolver em outros setores plenamente, estará sempre em dúvida, triste, ansiosa, amargurada.

O tarot não vai mostrar um destino fechado, inflexível... ele vai mostrar para onde as nossas vidas se encaminham se continuarmos agindo, sentindo e pensando da forma como fazemos hoje. Assim como o presente é resultante do que construímos, de forma consciente ou inconsciente, no passado. Por sua vez, o tarólogo não está aqui para dizer o que a pessoa "tem que" fazer, mas para mostrar o que ela não consegue enxergar dentro dela, o que ela está construindo para o seu futuro e quais os caminhos que ela pode seguir caso queira transformar este futuro.

Alguns clientes, instintivamente, me procuram para se consultar a cada três meses. Esse é um tempo bacana, que nem estimula a ansiedade e nem permite que a situação chegue no "ponto incendiário"...rs Este também é o tempo em que o que surge na mandala leva, em média, para se manifestar, se fazer entender. Claro que, como costumo falar, algumas pessoas são mais lentas e tudo isso leva uns seis meses ou mais para acontecer. Da mesma forma, alguns clientes já me procuram para uma nova consulta depois de dois meses, às vezes menos, porque tudo já aconteceu ou se encerrou, e situações totalmente novas surgiram. Mas, de um modo geral, três meses é um tempo bom, é o tempo que serve para a maioria das pessoas.

Portanto, quando me perguntam daí a quanto tempo podem marcar nova consulta, recomendo este período - três meses - e assim será possível estar sempre se trabalhando, trabalhando as relações e situações gerais de vida, sem que o desespero tome conta e, ao mesmo tempo, fazendo um trabalho - precioso! - sobre si, de busca de crescimento e amadurecimento pessoal. Eu recomendo! ;-)

Cultivando o encantamento no relacionamento afetivo

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Outro dia, em meio a um bate papo entre amigos, surgiu uma questão sobre a qual eu AMO falar! Relacionamento afetivo. Não é à toa que ganhei o apelido de Dra Love...rs

Percebo que, de um modo geral, as pessoas estão mais interessada em saber como conseguir um bom relacionamento afetivo. Costumo responder que essa é a parte mais fácil da história! O grande desafio é: como manter um bom relacionamento afetivo... Especialmente porque este querer e essa conquista depende de duas pessoas, não de uma só.

Não adianta que em um casal, apenas um dos cônjuges esteja empenhado em querer a melhoria da relação e o crescimento de ambos como seres humanos. É preciso que os dois estejam dispostos a investir tempo e energia nisso.

Como costumo dizer sempre, não entendo que as pessoas gastem tanto do seu tempo, atenção, energia e até dinheiro para crescer profissionalmente, para se desenvolver em termos acadêmicos e, alguns, para conquistar um corpo bonito e bem cuidado, mas ache total absurdo gastar um mínimo que seja, de seu tempo e atenção, com a vida afetiva. E ainda reclamam... Ou porque a vida afetiva é ruim, insatisfatória, ou quando o parceiro faz as malinhas e vai cantar em outra freguesia, depois de aguentar tanto tempo sendo ignorado.

Ter um relacionamento afetivo-sexual gratificante dá trabalho, ora se dá! E quando alguém argumenta que o amor deve "acontecer naturalmente", está desconsiderando as leis mais simples da natureza. Experimente plantar uma semente em uma terra pobre, não coloque adubo, não molhe, não cuide e veja se ali nascerá algo? Provavelmente, não.

A paixão é uma mistura de furor sexual de intensidade máxima com encantamento, enamoramento. O furor sexual passa, com sorte, em dois anos de relacionamento. Mas, segundo minha observação, se conseguirmos nutrir o encantamento, teremos a possibilidade de dar ao amor (quando essa experiência da paixão se estabiliza e vira algo mais profundo) um "up", uma constante renovação, viço, frescor...

Então, uma amiga me perguntou: e o que se deve fazer para que os relacionamentos, mesmo os mais longos, continuem tendo encantamento? E eu, que adoro fazer listinhas, elaborei umas dicas simples (porém não tão fáceis) e eficazes. No final, a brincadeira entre amigos foi comentar: "ótimo! O problema é colocar tudo isso em prática!" Exatamente... Mas o colocar ou não em prática vai demonstrar o quanto que cada um dá de importância ao parceiro/parceira e ao relacionamento afetivo. E, acreditem, se em um casal somente um se interessa e cuida da relação, esse cuidado e atenção caminham em direção ao vencimento do prazo de validade do relacionamento... Tic-tac...

1)    Atenção: verdade nua e crua é que colocamos nossa atenção nas coisas que realmente têm valor para nós. No começo do namoro a atenção é absurdamente direcionada para o namorado(a), ou seja, damos muuuuito valor à pessoa e ao relacionamento. Com o tempo, vamos nos acomodando, com mais tempo ainda paramos de dar atenção à pessoa... achamos que já sabemos tudo sobre ela (grande mentira, estamos sempre nos surpreendendo até em relação a nós mesmos), então, pra que prestar atenção? Depois de muito tempo os casais param de se olhar. É verdade! Eles tanto param de se olhar nos olhos, quanto param de enxergar o outro... o outro é quase um anexo de si... Então, pra cultivar o encantamento o primeiro passo é perceber a importância da pessoa/relação na nossa vida e OLHAR pra ela.

2)     Ouvir os sonhos e desejos do outro e dar valor a isso, mesmo que pra nós pareça ridículo...rsrsrs E, verdadeiramente, sentir prazer em poder fazer parte deles ou ajudar o outro a realizá-los. É o "eu fico feliz de ver você feliz". O famoso clássico (pelo menos pra mim...rs) Don Juan de Marco, mostra o psiquiatra transformando o seu casamento de tantos anos, quando pergunta para a mulher quais eram os sonhos dela e ela responde "pensei que você nunca iria me perguntar isso". Saber o que está se passando com o outro de mais sutil, que não tenha a ver com os desafios cotidianos, pode ser uma incrível descoberta!

3)    Ter um tempo para o casal... não somente momentos gostosos de passeio, tipo jantar fora, ir à praia... mas até mesmo momentos para não se fazer nada, só ficar um com o outro, em silêncio ou conversando coisas que não são "sérias" (conversar sobre trabalho e dívidas não vale). Com o passar do tempo, os projetos de vida, os problemas que surgem, a preocupação com as finanças, os casais se encontram mais para resolver pepinos e falar de assuntos práticos, do que para se permitir usufruir da presença um do outro. Parece que ficar deitado, juntos, no tapete da sala ou demorar um pouco para levantar da cama ou da mesa de café da manhã é pura perda de tempo! Mas, ao invés disso, são esses momentos que fazem com que estejamos na presença um do outro. Quem não se lembra dos longos minutos, às vezes horas, que passamos, no começo do namoro, abraçados na cama, alternando silêncio, suspiros e conversas sobre sentimentos, filosofias de vida e sonhos? Isso alimenta o amor.

4)    Intimidade sem obrigação de sexo: este talvez seja um ponto muito difícil para os homens... No começo de relacionamento não precisamos disso, pois temos contato corporal constante, estamos sempre querendo transar! rs Com o passar do tempo, a paixão arrebatadora com prazo de validade vencido, somado ao cansaço, stress etc... as transas vão diminuindo de frequência. Até aí, normal! Não precisamos chegar aos 80 anos sendo os performáticos do sexo! Acontece que junto com isso se vai o contato físico, a intimidade e o carinho físicos! Todos os manuais de sexualidade sagrada falam de vários encontros de intimidade sem sexo, para que se chegue a um ponto deliciosamente incrível de realização sexual... os caras sabem das coisas! Então, quando cultivamos um tempo para nos tocar, acariciar, sem fazer sexo, não somente estamos preparando um momento mágico e intenso de expressão da sexualidade, quanto estamos alimentando a intimidade, o contato físico que tem desdobramentos muito mais profundos de união entre um casal.

Claro que temos muitos outros caminhos para conseguir cultivar este encantamento, mas se conseguirmos seguir esses quatro, já está bom demais! ;-) Aproveitando a energia do Diabo, com suas intensidades, vamos colocar esta energia de encantamento no ar!

As imagens vieram daqui, daqui e daqui

Ensaio sobre a inveja

domingo, 6 de janeiro de 2013

Há tempos estou para escrever sobre isso... E logo que vieram os primeiros pensamentos, fiz uma conexão com o "Ensaio sobre a cegueira". Muito provavelmente, porque eu acredito que a inveja seja resultante de uma imensa cegueira sobre si e sobre o outro.

Sentir inveja de alguém não é admirar esta pessoa, apesar de alguns acobertarem a inveja sob tal pretexto. Sentir inveja de algo que alguém possui também não é querer ser capaz de conseguir conquistar o mesmo.

A inveja costuma acontecer quando não temos a capacidade de enxergar nossos próprios talentos e capacidades. Ao invés de olharmos para dentro, olhamos para fora, buscamos no outro o que acreditamos faltar em nós.

Não creio ser possível sentir inveja sem que exista um pouco de rancor, seja em relação à vida ou ao outro. Isso quando o rancor não está direcionado ao próprio invejoso.

Todos temos beleza, inteligência, sensibilidade e outros talentos, basta enxergar! Mas não somente enxergar... Também desenvolver e aprimorar o que de bom já existe.

Olhar para o outro e acreditar que tudo para ele é fácil, simples e gratuito, é um tremendo engano. Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é e isso pode exigir muito empenho e sacrifício.

Certa vez, em um dos locais onde trabalhei, fui questionada sobre o fato de estar sempre rindo, sempre demonstrando simpatia e alegria. "Você deve ser muito feliz mesmo, para estar sempre assim!" Minha resposta, em meio ao choque de sentir o impacto da inveja sobre mim, foi: estou viva, sou saudável, só isso já é razão de ser feliz! Creio que a pessoa não entendeu nada...

Sempre tive profunda dificuldade de compreender a inveja...

Apesar da minha autocrítica superdesenvolvida, nunca quis ser outra pessoa senão eu mesma (melhorada, evoluída, amadurecida, mas eu mesma...), nunca quis ter algo que outra pessoa tem, mas conquistar as minhas coisas por conta própria e menos ainda quis o relacionamento de outra pessoa, pois sei o quanto custa a convivência, seja com um parceiro, a família ou amigos.

Tudo nesta vida requer trabalho, consciência, reflexão, esforço. Às vezes mais, às vezes menos. E não podemos nós, de fora da situação, julgar se o outro merece ou não aquilo, ou se conseguiu tudo de "mão beijada".

A inveja, quando se revela, demonstra que a pessoa está mais focada nos outros do que em si e com isso está perdendo muito tempo! Tempo precioso que poderia ser utilizado para ser alguém muito, muito melhor.

Por outro lado, viver com medo da inveja alheia também demonstra que o foco continua fora, quando deveria estar dentro. Devemos estar muito atentos a isso, já que a ideia fixa em algo costuma demonstrar que temos este algo dentro de nós também.

Substituir a inveja pela gratidão é sempre uma boa pedida. Impede que sejamos envolvidos por um tipo de energia que, longe de ser benéfica, é negativa e improdutiva.

Sejamos gratos, pois...